Guia Investir
Entenda o que realmente importa ao investir: decisões financeiras sólidas em um mercado de promessas e ilusões.

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Boas-Vindas
- Olá! Sou o Ricardo Serro e criei este guia para ser um material introdutório sobre investimentos.
- A existência desse material se deu a partir da vontade de ajudar familiares e amigos com dúvidas sobre o tema.
- Simplesmente desejo que ele instigue e ajude você a ter um futuro financeiro próspero.
- A estrutura é integrada. Mesmo os tópicos mais simples, como O Significado de Investir, fazem parte de um raciocínio maior. Pular etapas pode parecer inofensivo, mas enfraquece a base de que você precisa.
- Os tópicos se conectam de forma prática e estratégica, para ajudar você a tomar decisões de investimento compatíveis com seu estilo e seu momento de vida.
- Comece do início. Siga até o fim. O valor está na jornada completa.

Avisos
Base de Conhecimento
Os primeiros módulos, A Base de Tudo, A Trindade, Rentabilidade e Ambiente Econômico, são um pouco mais conceituais. Mas isso é intencional: eles constroem a base que vai permitir que você entenda com clareza o que virá depois e tome decisões com mais segurança.
Proteção de Direitos Autorais
Esta obra é protegida por direitos autorais. Não é permitida sua reprodução, distribuição ou exploração comercial, total ou parcial, sem autorização prévia do autor. A citação de trechos é permitida, desde que acompanhada da devida atribuição de autoria e sem alteração que comprometa o sentido original do conteúdo.
Exclusão de Responsabilidade
O conteúdo aqui apresentado possui caráter educativo e não constitui recomendação ou análise individualizada de investimentos. O autor não se responsabiliza por ações tomadas pelo leitor com base neste material, nem por eventuais perdas, danos ou prejuízos decorrentes de suas escolhas de investimento. Quaisquer ações realizadas pelo leitor são de sua exclusiva responsabilidade.
Sumário
- O Significado de Investir
- A Base de Tudo
- A Trindade
- Rentabilidade Nominal vs. Real
- Ambiente Econômico
- Avaliação de Performance
- Previdência e Aposentadoria
- Finanças Comportamentais
- Sua Política de Investimentos
O Significado de Investir
- Ao investir, considere que você:
- ou está emprestando dinheiro para alguém;
- ou está se tornando sócio de alguém.
- Esse alguém pode ser uma pessoa, uma empresa, o governo, ou outras entidades.
- Nesse contexto, você espera determinado retorno (retorno esperado) e incorre em diversos riscos.
- Conforme o tempo passa, você descobrirá qual foi o retorno verdadeiro (retorno realizado).
- O retorno realizado pode ser menor, igual, ou até maior do que o retorno esperado.
A Base de Tudo
- Juros: o custo do dinheiro.
- Juros simples ou compostos: uma diferença exponencial.
- A sensibilidade do valor ao tempo.
- Valor presente e valor futuro: a mudança na quantidade de dinheiro em função do tempo e dos juros.
- A taxa livre de risco: não é livre de risco.
- Risco vs. retorno: uma dupla inseparável.
A Base de Tudo: Juros
- Para quem empresta dinheiro, os juros são o valor cobrado (retorno) pelo empréstimo.
- Para quem pega dinheiro emprestado, os juros são o valor pago (custo) pelo empréstimo.
- Os juros são geralmente expressos por:
- uma taxa, ex: 10%
- um período, ex: ao ano
- um formato de cobrança: simples ou composto.
A Base de Tudo: Juros Simples ou Compostos
- Considere que você emprestou R$1.000 por 3 anos, com uma taxa de juros de 10% ao ano.
- Juros Simples: o valor que você recebe em cada ano (período) é o mesmo.
- Ano 1: você recebe 10% de R$1.000 = R$100.
- Ano 2: você recebe 10% de R$1.000 = R$100.
- Ano 3: você recebe 10% de R$1.000 = R$100, mais os R$1.000 emprestados.
- Total recebido: R$1.300.
- Juros Compostos: o valor a receber em cada ano (período) é atualizado de acordo com os valores acumulados.
- Ano 1: você recebe 10% de R$1.000 = R$100.
- Ano 2: você recebe 10% de R$1.100 (R$1.000 do empréstimo + R$100 do Ano 1) = R$110.
- Ano 3: você recebe 10% de R$1.210 (R$1.000 do empréstimo + R$100 do Ano 1 + R$110 do Ano 2) = R$121, mais os R$1.000 emprestados.
- Total recebido: R$1.331.
- O empréstimo, a taxa e o período são os mesmos, mas o formato composto resultou em uma diferença de R$31 a mais.
- A diferença é pequena?
- Considere que você emprestou R$1.000 por25 anos, com uma taxa de juros de 10% ao ano.
- Juros Simples:
- Total recebido em 25 anos: R$3.500.
- Juros Compostos:
- Total recebido em 25 anos: R$10.835.
- Ao decorrer dos anos, a diferença do resultado simples e do resultado composto é muito significativa.
- No geral, ao investir, se utiliza o conceito de Juros Compostos.

A Base de Tudo: A Sensibilidade do Valor ao Tempo
- Quanto maior o tempo, mais importantes se tornam pequenas diferenças nas taxas.
- Por exemplo, não menospreze uma pequena diferença de 0,5% em uma taxa ao longo de 25 anos.
- uma taxa de 10,0% ao ano transforma R$1.000 em R$10.835
- uma taxa de 10,5% ao ano transforma R$1.000 em R$12.135
- a diferença de 0,5% na taxa resultou na diferença de 12% no retorno.
- Essa sensibilidade é extremamente importante para alguns assuntos, como a marcação a mercado, que será vista posteriormente.

A Base de Tudo: Valor Presente e Valor Futuro
- Considere que neste momento você tenha a possibilidade de investir por 1 ano a uma taxa de 10% ao ano.
- Se você tem R$1.000 agora, este é o seu valor presente.
- Caso você faça o investimento, em 1 ano esses R$1.000 atuais serão R$1.100, o valor futuro.
- Estamos falando do mesmo dinheiro, mas a quantidade muda em função do tempo e dos juros.
- Por que isso é importante?
- Digamos que, em vez de você possuir R$1.000 agora, você viesse a receber esse montante de R$1.000 em um ano (valor futuro). Qual seria o equivalente em valor presente?
- A resposta é R$909. Ou seja, se você investir R$909 agora, você terá R$1.000 em um ano.
- Esses conceitos são importantes para compreendermos o valor do dinheiro no tempo.
- Exemplo: você quer vender um apartamento hoje por R$1 milhão. Um comprador aparece, fornece todas as garantias formais necessárias, mas solicita que o pagamento seja feito em 1 ano. Se você aceitar, na prática, você terá vendido o apartamento pelo equivalente hoje a R$909.090. Ou seja, um desconto de R$90.910.
A Base de Tudo: A Taxa Livre de Risco
- Qual é a principal referência de taxa de juros?
- Em teoria, a taxa livre de risco de crédito, aquela que você obteria ao emprestar a alguém com capacidade praticamente garantida de pagamento.
- Por que? Na dúvida de onde investir, você escolhe emprestar para esse alguém e garante seu retorno.
- Mas quem seria esse alguém? Considera-se que é o governo, via Tesouro Nacional. Por que? O risco acaba sendo o risco da economia do país como um todo. Por exemplo: no limite, para alguém conseguir pagar uma dívida, esse alguém precisa continuar existindo. É mais sensato pensar que o Brasil como um país e sua economia continuem existindo para sempre ou que alguma determinada empresa do Brasil continue existindo para sempre? O Brasil como um todo, bem ou mal, possivelmente continuará existindo.
- Entretanto, esse tipo de investimento ainda está sujeito a outros riscos, como o risco inflacionário. Mesmo que o governo pague a dívida, o poder de compra desse valor pode estar comprometido.
- Esse risco associado à capacidade do governo de honrar suas dívidas é conhecido como risco soberano, que inclui tanto a inadimplência direta quanto a deterioração macroeconômica que afeta os pagamentos.
- A taxa livre de risco é um conceito teórico mas importante e amplamente utilizado em cálculos financeiros.
- No Brasil, a referência para a taxa livre de risco é a Taxa Selic, a principal taxa de juros do país, também chamada de taxa básica de juros da economia.
- Quem a define a Taxa Selic é o Copom, revisando seu valor a cada 45 dias.
- O Copom é um órgão vinculado ao Banco Central do Brasil (BCB), que não deve ser confundido com o Banco do Brasil (BB).
- Você pode investir no Tesouro Selic, emitido pelo Tesouro Nacional, e receber a remuneração de acordo com a Taxa Selic.
- Ao investir no Tesouro Selic, você está emprestando dinheiro para o governo brasileiro e incorrendo no risco soberano do país.
- O Tesouro Selic remunera de acordo com a Taxa Selic, expressa como um % ao ano, de forma composta.
A Base de Tudo: Retorno vs. Risco
- Agora que você sabe que nem a taxa livre de risco é livre de risco, você deve ter percebido que não faz sentido pensar em retorno sem pensar em risco.
- Todas as oportunidades de retorno carregam em si determinados riscos.
- Portanto, ao avaliar investimentos, nunca devemos olhar apenas para o retorno esperado e sim para o retorno esperado em comparação aos possíveis riscos.
- Quando você vê oportunidades de investimento com retorno mais atrativo que o usual, saiba que os riscos também tendem a ser maiores que o usual.
- Isso acontece pois esperamos ser remunerados a uma taxa maior do que a taxa livre de risco, dado que estaremos correndo riscos adicionais. Caso contrário, optariamos por investir no Tesouro Selic.
- Entretanto, como já vimos, o retorno esperado e o retorno realizado de um investimento podem ser diferentes.
- Quando você busca retornos maiores, você também incorre em riscos maiores.
- Isso significa que ao buscar retornos maiores, você poderá eventualmente obter retornos menores.
- No gráfico ao lado, as figuras verticais mostram os diferentes retornos que você pode obter conforme o risco aumenta.
- Cada pessoa deve adequar seus investimentos ao seu contexto pessoal e ao seu perfil de risco. Você aprenderá como fazer isso ao longo deste guia.

A Trindade
- A curva de juros: as taxas de juros ao longo do tempo.
- As medidas de inflação: a mudança nos preços de itens ao longo de um período.
- O câmbio: como ele afeta o seu dia a dia mesmo se você não for viajar para o exterior.
- Como os três se relacionam.
A Trindade: A Curva de Juros
- Agora você já sabe que no Brasil a taxa livre de risco é a Taxa Selic.
- Entretanto, você também aprendeu que ela é revisada e pode mudar a cada 45 dias.
- Então, como são avaliados investimentos com prazos maiores, como 5 ou 10 anos, por exemplo?
- Qual valor é usado como referência para a taxa livre de risco nos próximos anos?
- Para compreender isso, você primeiro precisa saber que instituições financeiras como bancos também emprestam dinheiro entre si.
- Esses empréstimos são chamados de Depósitos Interfinanceiros e a taxa usada como remuneração é denominada de Taxa DI.
- Por alguns motivos, a Taxa DI é sempre muito próxima da Taxa Selic, com uma diferença geralmente inferior a 0,1%.
- Isso posto, existem expectativas sobre as Taxas DI ao longo dos próximos anos.
- Na verdade, não são expectativas puras, essas taxas também são influenciadas por outros fatores.
- Ainda assim, essas taxas formam a curva de juros, utilizada como referência de valor esperado para a média da taxa livre de risco ao longo dos próximos anos.
- Como é uma curva de juros? Assim: Gráfico 1.
- Na verdade, ela pode ter vários formatos: Gráfico 2.
- A curva de juros muda a todo instante, mas você não precisa acompanhar ela a todo instante ou saber interpretar o significado dos diferentes movimentos dela.
- Então, por que você aprendeu sobre ela?
- Por que ela vai ser muito importante para você compreender, em tópicos posteriores, o que acontece com o seu dinheiro investido conforme as expectativas sobre as taxas de juros mudam.
- O importante agora é você saber que a curva de juros existe, que ela representa expectativas (não puras) e que essas expectativas são revisadas a todo instante.


A Trindade: As Medidas de Inflação
- Todos nós sabemos que o preço de um mesmo item muda conforme o tempo passa.
- Inflação é o nome dado para essas mudanças de preços em determinados períodos.
- Técnicamente, existem vários conceitos para situações distintas, como: hiperinflação, inflação, desinflação, deflação e outros.
- As medidas mais usuais de inflação no Brasil são:
- IPCA: calculado pelo IBGE, é o principal indicador oficial de inflação no Brasil e inclui itens de alimentação, bebidas, habitação, transporte, saúde, educação e outros. O Banco Central do Brasil define a Taxa Selic com o principal objetivo de controlar o IPCA de acordo com a meta de inflação.
- IGP-M: calculado pela FGV, é mais abrangente e mede a variação de preços em diferentes etapas da cadeia produtiva. Geralmente utilizado em contratos de aluguéis.
- INCC: calculado pela FGV, mede a variação dos custos de construção, inclui materiais, mão de obra e outras despesas. Geralmente utilizados em contratos na construção civil.
- Além dessas mais comuns, várias outras medidas de inflação existem, com finalidades específicas.
- A inflação está diretamente relacionada à estabilidade econômica do país.
A Trindade: O Câmbio
- O termo "câmbio", quando usado de forma avulsa, geralmente se refere a taxa de câmbio (troca) entre reais brasileiros (BRL) e dólares americanos (USD), a principal moeda internacional. Entretanto, pode ser entre qualquer outro par de moedas.
- Estamos acostumados a nos referir a taxa de câmbio no seguinte formato: R$5,00 por U$1,00. Temos então que a taxa de câmbio é R$5,00 por dólar.
- Você também poderá ver escrito U$0,20 por R$1,00. Note que a o resultado é o mesmo, só mudou a forma de a taxa ser comunicada. As duas maneiras são possíveis.
- Commodities como petróleo, minério, celulose, soja, açúcar, café e outras tem seu preço negociado em dólares americanos, dado seu mercado internacional e uma combinação de fatores históricos, econômicos, financeiros e geopolíticos.
- Além das commodities, os preços em reais de itens importados também dependem da taxa de câmbio do dólar americano ou de alguma outra moeda.
- Desta forma, o câmbio tem ampla influência nos preços em reais praticados no nosso dia a dia.
A Trindade: Como Os Três Se Relacionam
- A curva de juros, a inflação e o câmbio estão interrelacionados.
- Não é especificamente um que afeta outro, ou outro que afeta um.
- Além disso, os três também são influenciados por diversas outras dinâmicas.
- Por exemplo, podemos dizer que:
- câmbio desvalorizado (dólar mais caro) pode pressionar a inflação para cima
- inflação alta geralmente requer juros mais altos para que seja controlada
- juros mais altos tendem a desacelerar a economia.
- Entretanto, também seria possível dizer que:
- juros mais altos podem aumentar o diferencial de juros em relação a outros países
- um diferencial de juros maior tende a valorizar o nosso câmbio (dólar mais barato)
- câmbio valorizado pode ajudar a aliviar a inflação
- inflação baixa pode reduzir a necessidade de juros altos
- juros mais baixos ajudam a acelerar a economia.
- Esse foi apenas um exemplo. O que você precisa saber é que os três são componentes muito importantes relacionados a um altamente dinâmico e complexo ambiente econômico nacional e internacional.
- Previsões sobre essas dinâmicas econômicas não são triviais e por isso são atualizadas frequentemente.
- Além disso, existem também os ciclos econômicos, que veremos posteriormente.
Rentabilidade Nominal vs. Real
- Vimos que as medidas de inflação medem as mudanças de preços em grupos de itens conforme o tempo passa.
- Agora, digamos que você fez um investimento de R$1.000 e após um ano recebeu R$1.100.
- A rentabilidade nominal do seu investimento foi de 10%.
- Entretanto, considere que neste mesmo período a inflação também tenha sido de 10%.
- Neste caso, o seu dinheiro aumentou em quantidade de R$1.000 para R$1.100, mas o preço dos itens também aumentou e na mesma proporção, fazendo com que o seu poder de compra não tenha sido alterado. Ou seja, você tem mais dinheiro mas só consegue comprar a mesma quantidade de itens que antes.
- Se a quantidade do seu dinheiro muda o mesmo que a inflação, o seu poder de compra é mantido e você tem uma rentabilidade real zero.
- Se a quantidade do seu dinheiro muda acima da inflação, o seu poder de compra aumenta e você tem uma rentabilidade real positiva.
- Se a quantidade do seu dinheiro muda abaixo da inflação, o seu poder de compra diminui e você tem uma rentabilidade real negativa.
- É importante ressaltar que você pode ter uma rentabilidade real negativa mesmo que a quantidade do seu dinheiro aumente. Exemplo: você investiu R$1.000 e recebeu R$1.100, mas a inflação foi de 12%, ou seja, para comprar os mesmos itens que antes custavam R$1.000 agora você precisa de R$1.120, mas só tem R$1.100. Na prática o seu dinheiro aumentou mas o seu poder de compra diminuiu.
- A diferença entre rentabilidade nominal e rentabilidade real é que a rentabilidade real desconta o efeito da inflação e mede a variação em relação seu poder de compra, que é o que realmente importa.
Ambiente Econômico
- Política monetária.
- Política fiscal.
- Dívida pública e PIB.
- Diferencial de juros.
- Os ciclos econômicos.
Ambiente Econômico: Política Monetária
- O principal objetivo do Banco Central do Brasil (BCB) é manter a inflação sob controle (ao redor da meta) por meio da política monetária.
- Quem define a meta para a inflação é o Conselho Monetário Nacional (CMN), órgão superior do Sistema Financeiro Nacional (SFN), composto pelas seguintes pessoas: Ministro da Fazenda, Ministro do Planejamento e pelo Presidente do Banco Central.
- A política monetária se refere às ações do BCB que visam afetar o custo do dinheiro (taxas de juros) e a quantidade de dinheiro (condições de liquidez) na economia.
- O principal instrumento da política monetária é a Taxa Selic.
- Quem a define a Taxa Selic é o Comitê de Política Monetária (Copom), formado pelo Presidente do BCB e oito diretores, revisando seu valor a cada 45 dias.
- Conforme o site do próprio BCB: "manter a taxa de inflação baixa, estável e previsível é a melhor contribuição que a política monetária do BCB pode fazer para o crescimento econômico sustentável e a melhora nas condições de vida da população".
- A dinâmica de política monetária para uma inflação acima da desejada é:
- adotar uma política monetária contracionista, onde se aumentam os juros e/ou se diminui a quantidade de dinheiro na economia
- desta forma, o consumo e novos projetos são desestimulados, resultando em alívio nos preços e redução da inflação
- A dinâmica de política monetária para uma inflação abaixo da desejada é:
- adotar uma política monetária expansionista, onde se reduzem os juros e/ou se aumenta a quantidade de dinheiro na economia
- desta forma, o consumo e novos projetos são estimulados, resultando em pressão nos preços e aumento da inflação
- Entretanto, lembre-se: o ambiente econômico é complexo, a taxa de juros e a quantidade de dinheiro não são os únicos fatores que afetam a inflação.


Ambiente Econômico: Política Fiscal
- Assim como o Banco Central do Brasil é responsável pela política monetária do país, o governo é responsável pela política fiscal.
- A política fiscal são as ações do governo relacionadas à arrecadação de receitas e ao controle dos gastos públicos.
- As receitas menos as despesas do governo geram o resultado fiscal.
- A maior parte das receitas arrecadas provém de tributos.
- O resultado fiscal é composto por:
- Resultado Primário = Receitas Arrecadadas - Gastos Públicos (Não Inclui os Juros da Dívida Pública)
- Resultado Nominal = Resultado Primário - Juros da Dívida Pública (Inclui os Juros da Dívida Pública)
- Geralmente, quando é usado apenas o termo resultado fiscal, a referência é ao resultado nominal.
- Lembra do Tesouro Selic? Quando você investe nele, é o governo quem paga os juros para você e este valor será contabilizado no Resultado Nominal. Este é apenas um exemplo de juros que compõem a dívida pública.
- Um resultado positivo é chamado de superávit. Um resultado negativo é chamado de déficit.
- Pode ocorrer um superávit ou déficit primário e um superávit ou déficit nominal.
Ambiente Econômico: Dívida Pública e PIB
- O resultado primário afeta o estoque da dívida pública. Déficits geralmente fazem o governo emitir mais dívida e aumentam o total da dívida, enquanto superávits tendem a reduzir o total da dívida.
- Entretanto, como já vimos, devemos evitar análises isoladas ou absolutas. Sendo assim, a dívida pública geralmente é avaliada de três formas: sua relação com o Produto Interno Bruto (PIB), sua trajetória, e a comparação com a de outros países economicamente semelhantes.
- O PIB é a medida do valor de bens e serviços finais produzidos dentro das fronteiras de um país em um determinado período.
- A relação entre dívida e PIB é uma porcentagem calculada como Dívida Total / PIB Anual. Assim, a dívida/PIB fornece uma visão relativa entre o endividamento e a produção do país. Essa relação dívida/PIB é então comparada a de outras economias semelhantes. Por exemplo, no caso do Brasil, a comparação geralmente é com outros países emergentes como o México e a Argentina. Desta forma, os países com menor dívida/PIB representam menor risco aos investidores, que aceitam taxas de juros relativamente menores para investir em títulos destes países, resultando em financiamento mais barato para estes governos e possibilitando uma taxa básica de juros relativamente menor.
- Você se lembra do risco vs. retorno e que a taxa livre de risco não é livre de risco?
- Quando a trajetória desta relação é crescente, maior é o risco percebido e maior é o retorno requerido por investidores para emprestarem dinheiro ao governo, gerando um aumento nas expectativas sobre os juros (curva de juros).
- Quando a trajetória desta relação se estabiliza ou cai, há uma redução no risco percebido e menor é o retorno requerido por investidores para emprestarem dinheiro ao governo, gerando uma redução nas expectativas sobre os juros (curva de juros).
- A questão é que não existe dinheiro mágico disponível para um governo. Se um governo constantemente gasta mais do que arrecada, ele precisará buscar fontes de financiamento, geralmente por meio da emissão de dívida pública. Quanto mais endividado um governo está em relação a capacidade produtiva do seu país, maior será o risco soberano percebido por investidores para emprestar dinheiro para este governo (comprar dívida pública), menor será a disposição para investir, maiores serão os juros exigidos e mais difícil fica a situação econômica do país.
- A prosperidade econômica depende de um ambiente econômico produtivo, inovador e competitivo.
- A existência deste ambiente depende de um governo fiscalmente responsável, de segurança jurídica, de simplicidade tributária e de facilidade para fazer negócios.
- Sem um ambiente econômico próspero, não haverá dinheiro para educação, saúde e segurança.

Ambiente Econômico: Diferencial de Juros
- Além do olhar relativo para a relação dívida/PIB entre diferentes países, outro fator de alta importância é o diferencial de juros.
- A taxa de juros mais importante do mundo é a taxa de juros praticada nos Estados Unidos, denominada de Effective Fed Funds Rate (EFFR).
- Essa importância se dá em função do tamanho da economia americana e da sua relação com os outros países do mundo.
- Para colocar em perspectiva, o que os Estados Unidos (PIB anual de ~U$27 trilhões) produzirá apenas no ano de 2025, o Brasil (PIB anual de ~U$2,2 trilhões) levaria até 2037 para produzir. Ou seja, o Brasil leva doze anos para produzir o que os Estados Unidos produz em 1 ano.
- Agora, imagine que a EFFR é de 4%. Qual a menor Taxa Selic que faria sentido ser utilizada no Brasil?
- Vamos ver outra pergunta: Qual economia, BR ou US, é a mais frágil ou a mais arriscada para você emprestar dinheiro?
- Então, se a EFFR for de 4% e a Taxa Selic também for de 4%, faria sentido escolher emprestar dinheiro para o Brasil ao invés dos Estados Unidos? Não, pois você estaria escolhendo correr mais risco para obter o mesmo retorno.
- A taxa de juros praticada no Brasil precisa ser maior do que a taxa de juros praticada nos Estados Unidos para que investidores sejam remunerados por correr relativamente mais risco investindo no Brasil.
- Por isso é tão importante haver coerência no diferencial de juros, que representa uma visão relativa entre risco e retorno com base nas taxas de juros praticadas em diferentes países.
Ambiente Econômico: Os Ciclos Econômicos
- Os ciclos econômicos são flutuações recorrentes na atividade econômica de um país ou de um conjunto de países ao longo do tempo.
- Em linhas gerais, períodos de expansão e de contração se sucedem, formando um padrão cíclico.
- As principais fases de um ciclo econômico são:
- Expansão (ou Recuperação): a economia cresce, o desemprego cai, o consumo e o investimento aumentam e o otimismo predomina.
- Pico: é o auge da atividade econômica, em que a demanda atinge níveis máximos, mas sinais de inflação e superaquecimento começam a surgir.
- Contração (ou Recessão): a produção desacelera, o PIB diminui, o desemprego sobe e os investimentos e o consumo se retraem.
- Fundo (ou Vale, ou Depressão): a atividade econômica atinge seu nível mais baixo, estabilizando-se e criando condições para a próxima retomada.
- Os ciclos econômicos se repetem porque condições de expansão geram desequilíbrios que exigem correções na economia. Quando esses desequilíbrios são ajustados, a estabilidade resultante cria espaço para uma nova expansão, reiniciando o ciclo.
- No geral, um ciclo completo pode durar cerca de 5 a 10 anos e a fase de expansão costuma ser mais longa do que a fase de contração.
- As ações das políticas monetária e fiscal influenciam significativamente os ciclos econômicos, suas fases e a intensidade com que ocorrem.
- Nem sempre é claro ou consensual qual é a atual fase do ciclo econômico.
- Na prática, as fases podem se sobrepor ou até serem “puladas”.
- Portanto, não se deve confiar totalmente nisso, mas refletir sobre a fase atual pode ajudar nas decisões de investimento.
- Algumas perguntas para ajudar você em sua própria avaliação:
- Há mais vagas de emprego ou mais demissões agora? Mais vagas: Expansão/Pico. Mais demissões: Contração/Fundo.
- Os preços estão subindo aceleradamente ou se estabilizaram? Subindo aceleradamente: Pico. Estabilizados ou caindo: Contração/Fundo.
- É fácil obter crédito ou os bancos estão mais cautelosos? Crédito fácil: Expansão/Pico. Bancos cautelosos: Contração/Fundo.
- O governo está cortando gastos ou investindo mais na economia? Investindo mais: Fundo/Expansão. Cortando gastos: Pico/Contração.
- Os consumidores parecem confiantes ou estão mais cautelosos? Confiantes: Expansão/Pico. Cautelosos: Contração/Fundo.
- Há mais lançamentos e inovações ou o mercado parece parado? Mais lançamentos/inovações: Expansão. Mercado parado: Contração/Fundo.
- O PIB vem aumentando ou mostra sinais de fraqueza? PIB aumentando: Expansão/Pico. Sinais de fraqueza: Contração/Fundo.
- A bolsa de valores tem batido recordes ou enfrenta quedas seguidas? Recordes: Expansão/Pico. Quedas seguidas: Contração/Fundo.
- As pessoas falam de crescimento ou de crise em conversas cotidianas? Crescimento: Expansão/Pico. Crise: Contração/Fundo.

- Quais ativos são mais interessantes em cada fase dos ciclos?
- Expansão/Otimismo: bom momento para ativos de renda variável.
- Pico/Euforia: momento de reduzir exposição a ativos arriscados ou sujeitos a marcação a mercado.
- Contração/Medo: momento de garantir segurança e liquidez nos investimentos.
- Fundo/Desânimo: momento de começar a aumentar a exposição a ativos mais arriscados.
- Ativos mais ou menos seguros/arriscados existem tanto na renda fixa quanto na renda variável.
- Você aprenderá sobre os diferentes ativos e suas características ao longo deste guia.
Renda Fixa
- Os tipos de taxas.
- Os indexadores.
- O que é o FGC?
- Os principais títulos.
- Os principais pontos para avaliar títulos.
- Resgate antecipado e marcação a mercado.
- Tributação na renda fixa.
- O que você deve ter cuidado.
Renda Fixa: Os Tipos de Taxas
- A Renda Fixa é uma categoria de investimento em que as taxas de rendimento são previamente definidas ou vinculadas a um índice de referência (indexador). Os tipos de taxas são:
- Pré-fixada: quando a taxa de rendimento é previamente definida. Exemplo: um investimento com taxa de 12% ao ano. No vencimento, você terá recebido o equivalente a 12% ao ano.
- Pós-fixada: quando a taxa de rendimento é expressa percentualmente em relação a um indexador. Exemplo: um investimento com taxa de 100% do CDI. No vencimento, você terá recebido o equivalente a 100% do que for o resultado do CDI no período.
- Híbrida: quando uma taxa previamente definida é somada a um indexador. Exemplo: um investimento com taxa de IPCA + 5%. No vencimento, você terá recebido o equivalente ao resultado do IPCA acrescido de 5% por período.
- Entretanto, dependendo do investimento em questão, mesmo que a taxa seja apresentada como IPCA + 5%, o resultado do acréscimo poderá ser calculado como ((1 + IPCA) * (1 + 5%) - 1). No geral, títulos públicos usam esse formato de multiplicação enquanto os demais usam o formato de somatório. Você verá posteriormente o que são esses títulos.
Renda Fixa: Os Indexadores
- Um indexador é um índice de referência. Os dois indexadores mais comuns são o IPCA e o CDI, mas existem outros.
- O IPCA você já conhece, é a medida oficial de inflação no Brasil.
- Investir com uma taxa vinculada ao IPCA é uma forma de preservar o poder de compra do valor investido.
- Você lembra da Taxa DI? Seu valor é muito próximo da Taxa Selic (a taxa básica de juros, a taxa livre de risco).
- Depósitos Interfinanceiros (DI) referem-se às operações de empréstimo entre bancos para gerenciamento de liquidez.
- Certificados de Depósitos Interbancários (CDI) são os títulos que formalizam essas operações. Seus rendimentos acompanham a Taxa DI.
- Na prática, é comum o uso do termo "Taxa CDI", mas que na verdade se refere a Taxa DI. Como indexador, é mais comum ser feita referência ao termo CDI.
- Em outras palavras, investir com uma taxa vinculada ao CDI é uma forma de ter sua remuneração atrelada a Taxa Selic.
Renda Fixa: O que é o FGC?
- Alguns investimentos de renda fixa possuem garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
- O FGC é uma entidade privada, sem fins lucrativos, regulamentada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), supervisionada pelo Banco Central, criada para proteger os investidores e depositantes em caso de falência ou intervenção de instituições financeiras associadas.
- As instituições financeiras associadas contribuem regularmente para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Essas contribuições são obrigatórias e incidem sobre os saldos dos produtos cobertos pela garantia do FGC.
- Caso você invista em algum título de renda fixa garantido pelo FGC, se a instituição que emitiu o título não conseguir pagar você, o FGC garante o pagamento de até R$250.000 limitados por CPF, por instituição associada.
- O pagamento geralmente é realizado em 1 a 3 meses após o evento de insolvência, mas não há um prazo único oficial.
- Certifique-se caso a caso se um investimento em questão possui garantia do FGC ou não.
Renda Fixa: Os Principais Títulos
- Um título de renda fixa é um instrumento financeiro de dívida no qual quem investe empresta dinheiro a um emissor.
- Como você está emprestando dinheiro, é essencial entender para quem e quais as garantias oferecidas.
- Títulos Públicos: títulos emitidos pelo governo federal, garantidos pelo governo federal.
- CDB, LC, LCA, LCI, LF: títulos emitidos por instituições financeiras, geralmente garantidos pelo FGC.
- CRA, CRI: títulos emitidos por securitizadoras, sem garantia do FGC.
- Debentures: títulos emitidas por empresas privadas, sem garantia do FGC.
- Poupança: não é um título e sim uma conta de depósito remunerada, com garantia do FGC.
Renda Fixa: Os Principais Títulos - Títulos Públicos
- Os títulos de dívida pública do Brasil são emitidos pelo governo federal por meio do Tesouro Nacional.
- Conforme já vimos, esses títulos são seguros em relação a garantia de pagamento.
- Você pode comprar esses títulos diretamente do Tesouro Nacional via Tesouro Direto ou de outros investidores via revendas no mercado secundário.
- Existem algumas diferenças entre comprar via Tesouro Direto ou via mercado secundário com relação à disponibilidade, rentabilidade, custos e liquidez.
- Se você busca simplicidade e facilidade para comprar e vender sem se aprofundar nos detalhes, o Tesouro Direto será sua melhor opção.
- Os principais títulos disponíveis via Tesouro Direto são:
- Tesouro Selic (LFT): remunera de acordo com a Taxa Selic, você recebe os juros no vencimento.
- Tesouro Prefixado (LTN): remunera uma taxa pré-fixada, você recebe os juros no vencimento.
- Tesouro Prefixado com Juros Semestrais (NTN-F): remunera uma taxa pré-fixada, você recebe o pagamento dos juros semestralmente.
- Tesouro IPCA+ (NTN-B Principal): remunera uma taxa híbrida de IPCA + %, você recebe os juros no vencimento.
- Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais (NTN-B): remunera uma taxa híbrida de IPCA + %, você recebe o pagamento dos juros semestralmente.
- Os títulos de dívida pública federal não possuem isenção de imposto de renda para pessoas físicas. O Tesouro Direto cobra uma taxa de custódia de 0,2% ao ano sobre o valor investido.
Renda Fixa: Os Principais Títulos - CDB, LC, LCA, LCI, LF
- CDB, LC, LCA, LCI e LF são títulos de dívida emitidos por instituições financeiras.
- Instituições financeiras são mais regulamentadas do que outras empresas, o que tende a tornar seus títulos relativamente mais seguros.
- Quem tem a responsabilidade de pagar você é a instituição financeira.
- Esses títulos geralmente contam com a cobertura do FGC, proporcionando uma camada extra de proteção a você.
- Certificado de Depósito Bancário (CDB): você empresta dinheiro para o banco, que usa para conceder crédito a outras pessoas ou entidades.
- Letra de Câmbio (LC): você empresta para uma financeira, que usa para oferecer empréstimos.
- Letra de Crédito do Agronegócio (LCA): você empresta para um banco, que financia o agronegócio.
- Letra de Crédito Imobiliário (LCI): você empresta para um banco, que financia o setor imobiliário.
- Letra Financeira (LF): você empresta para um banco, que reforça sua estrutura financeira.
- Os tipos de taxas e indexadores variam para cada título emitido.
- Para pessoas físicas, CDBs, LCs e LFs não são isentos de Imposto de Renda (IR), enquanto LCAs e LCIs geralmente são isentos de IR.
- Entretanto, você não deve comparar diretamente uma taxa de rentabilidade isenta e uma não isenta. É necessário fazer a equivalência entre taxas para definir qual a mais atrativa.
Renda Fixa: Os Principais Títulos - CRA e CRI
- Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI) são títulos de dívida emitidos por securitizadoras.
- Securitizadoras não são instituições financeiras e tem risco relativamente maior.
- Na verdade, a responsabilidade de pagar você não é da securitizadora e sim relacionada ao lastro e a estrutura da emissão.
- Esses títulos não contam com a garantia do FGC.
- O lastro dos CRAs são recebíveis do agronegócio, como financiamentos rurais e Cédulas de Produto Rural (CPRs).
- O lastro dos CRIs são recebíveis imobiliários, como financiamentos e aluguéis.
- Recebíveis são valores a receber de contratos ou clientes.
- CRAs e CRIs geralmente são isentos de imposto de renda para pessoas físicas.
- CRAs e CRIs geralmente possuem risco significativamente maior e são de avaliação mais complexa que CDBs, LCs, LCAs, LCIs e LFs.
Renda Fixa: Os Principais Títulos - Debentures
- Debentures são títulos de dívida emitidos por empresas.
- A pessoa investidora que compra uma debênture está emprestando dinheiro para a empresa emissora.
- Existem diferentes tipos de debentures e de garantias.
- Debêntures também podem conter mecanismos como recompra antecipada, subordinação, conversão e outros.
- Esses títulos não contam com a garantia do FGC.
- Algumas debêntures, ditas incentivadas, possuem isenção de imposto de renda para pessoas físicas.
- Debêntures geralmente possuem risco significativamente maior e são de avaliação mais complexa que CDBs, LCs, LCAs, LCIs e LFs.
Renda Fixa: Os Principais Títulos - Poupança
- A poupança na verdade não é um título de dívida e sim uma conta de depósito remunerada.
- A poupança tem garantia do FGC, é isenta de imposto de renda e não possui taxas.
- Entretanto:
- Os juros são remunerados todo mês na mesma data em que você depositou o dinheiro, chamada de “aniversário”.
- Se você sacar antes dessa data mensal, não ganha nenhum juro daquele mês específico.
- Não há rendimento proporcional: ou ganha o mês inteiro ou nada.
- A remuneração da poupança costuma ser inferior a remuneração da Taxa Selic ou de 100% do CDI, mesmo considerando diferenças referentes a isenções de impostos.
- Considerando a ampla disponibilidade de outras opções de investimentos como Tesouro Selic e CDBs, igualmente seguros mas com remuneração superior, a minha sugestão é que você não invista na poupança.
Renda Fixa: Os Principais Pontos para Avaliar Títulos
- Ao avaliar um título de renda fixa, sempre pense de forma relativa aos demais títulos disponíveis. Alguns pontos para considerar:
- Qual o tipo de taxa e indexador do título?
- Qual a frequência de pagamento dos juros? Dependendo do título, o pagamento dos juros ocorre apenas no vencimento/resgate ou de outras formas como semestralmente e anualmente.
- Quem é o emissor e quais as garantias? Lembre-se, no geral, a ordem de menor para maior risco de crédito: Títulos Públicos → Títulos com FGC → Outros Títulos.
- Há rating disponível? Veremos este assunto a seguir.
- Qual o vencimento? O vencimento é a data em que, caso você não resgate antes, você receberá de volta o valor resultante do seu investimento. O vencimento também pode afetar a alíquota de tributação, conforme veremos posteriormente.
- Qual a liquidez? A liquidez refere-se a quando você pode solicitar resgates sem sofrer penalidades.
- Diária: você pode solicitar o resgate todos os dias úteis.
- Com carência: você somente poderá solicitar resgate após uma determinada data.
- No vencimento: você somente receberá o valor resultante do seu investimento no vencimento.
- Atenção para a diferença entre vencimento e liquidez: vencimento é a data máxima pelo qual o seu investimento estará em vigor, enquanto liquidez é a data mínima a partir da qual você poderá solicitar resgate do seu investimento. O vencimento e a liquidez podem ser distintos ou iguais.
- Qual o prazo de liquidação? Uma vez solicitado o resgate, este é o tempo que o dinheiro levará para estar disponível em sua conta.
Renda Fixa: Os Principais Pontos para Avaliar Títulos - Rating
- Uma das questões a serem avaliadas é se há rating disponível para o título ou para o emissor.
- Rating é uma nota de avaliação de risco de crédito (capacidade de pagamento) feita por agências classificadoras como a Fitch Ratings, Standard & Poor's, Moody's e outras, levando em consideração diversas informações sobre o título ou sobre o emissor.
- Há discussões sobre a real eficácia dessas classificações. Ainda assim, elas seguem sendo relevantes.

Renda Fixa: Resgate Antecipado e Marcação a Mercado - A Dinâmica
- Você sabia que o valor do seu investimento em renda fixa pode variar e muito?
- A variação ocorre em função da marcação a mercado.
- Digamos que você está hoje em 2025 e investiu R$1.000 no Tesouro Prefixado com vencimento em 2035 e uma taxa pré-fixada de 13% ao ano.
- Isso significa que se você esperar até o vencimento, em 2035, não importa o que aconteça até lá, você receberá o equivalente a um rendimento de 13% ao ano.
- Mas e se você quiser realizar resgates antes de 2035? Você acredita que receberá um rendimento de 13% ao ano, proporcional ao período investido? A resposta é não, o seu retorno poderá ser menor, igual ou maior que isso.
- Como? A resposta está na forma como os títulos são precificados: convertendo valores futuros para seus equivalentes em valores presentes. Lembra dessa dinâmica?
- A questão é que ao realizar um investimento como o descrito, na verdade você está comprando agora o recebimento de um valor fixo em 2035. Qual esse valor? R$3.395.
- Em outras palavras, o que realmente está acontecendo é o seguinte: você está comprando agora o recebimento de R$3.395 em 2035, que considerando uma taxa pré-fixada de 13% ao ano, equivalem hoje a R$1.000, o valor presente que você está pagando agora.
- Você se lembra que as expectativas sobre o ambiente econômico e sobre os juros (a curva de juros) mudam a todo instante? Isso significa que a todo instante novas taxas são utilizadas para converter o valor futuro em valor presente.
Renda Fixa: Resgate Antecipado e Marcação a Mercado - A Prática
- Agora, digamos que você está 2026 e quer resgatar o investimento que fez em 2025, mas a taxa de juros praticada para o vencimento de 2035 agora é de 16% ao ano.
- Ao resgatar, você está na verdade vendendo o título que você comprou.
- Então veremos algumas perguntas:
- O que você está vendendo? Resposta: o que você havia comprado em 2025.
- O que você havia comprado? Resposta: o recebimento de R$3.395 em 2035.
- Quanto você pagou por isso? Resposta: R$1.000, o seu seu valor investido.
- Qual o equivalente hoje a receber R$3.395 em 2035 considerando a nova taxa pré-fixada de 16% ao ano? Resposta: R$893, o valor presente.
- Então por quanto você conseguirá vender hoje os R$3.395? Resposta: R$893, o valor presente.
- Você perderia R$107 ou 10,7% ao resgatar hoje seu investimento.
- E se a taxa de juros praticada hoje fosse 10%, quanto valem hoje os R$3.395 de 2035? Resposta: R$1.440, o valor presente.
- Você ganharia R$440 ou 44% ao resgatar hoje seu investimento.
Renda Fixa: Resgate Antecipado e Marcação a Mercado - O Resumo
- Isso é a marcação a mercado: atualizar o valor presente de um recebimento futuro que você comprou como investimento.
- Isso ocorre em todos os títulos? Não, de forma geral apenas nos que a taxa for pré-fixada ou híbrida.
- O que mais você precisa saber?
- Que você deve considerar tanto o impacto da taxa quanto do vencimento, conforme a tabela ao lado.
- Se a taxa atual for maior do que a você comprou, o seu retorno atual estará pior do que você esperava.
- Se a taxa atual for menor do que a você comprou, o seu retorno atual estará melhor do que você esperava.
- Que quanto mais longa for a data de vencimento, maior o efeito da marcação a mercado.
- Por fim, atenção: se existe a possibilidade de você precisar resgatar o seu investimento antes do vencimento, você deve ter bastante cuidado com a marcação a mercado pois você poderá incorrer em perdas significativas ao resgatar. Principalmente considerando vencimentos longos.

Renda Fixa: Tributação
- Os tributos incidentes sobre o rendimento de títulos de renda fixa não isentos para pessoas físicas são:
- Imposto de Operações Financeiras (IOF): incide sobre o rendimento apenas se o resgate for efetuado antes de 30 dias corridos a partir da data de investimento, conforme as alíquotas vigentes.
- Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF): incide sobre o rendimento de qualquer resgate, conforme as alíquotas vigentes.
- LCAs, LCIs, CRAs e CRIs são isentas de IOF e de IRRF para pessoas físicas. Algumas debentures, ditas incentivadas, também são isentas.
- Se você perder dinheiro em algum investimento em títulos de renda fixa, não há imposto a ser pago mas também não será possível usar o prejuízo para compensar ganhos de outros títulos.
- Os impostos em operações de renda fixa são retidos na fonte. Ou seja, o valor que você recebe é líquido de impostos.
- Você deve declarar os seus investimentos em renda fixa bem como os rendimentos recebidos na sua declaração anual do imposto de renda.
- As informações aqui apresentadas são apenas uma ideia geral. Sempre confira as regras e alíquotas aplicáveis aos seus investimentos com um profissional especializado.
Renda Fixa: O Que Você Deve Ter Cuidado
- Dicas práticas para ajudar você ao investir em renda fixa:
- Evite investir sem antes responder as perguntas mencionadas na seção "Os Principais Pontos para Avaliar Títulos".
- Avalie qual taxa está sendo oferecida em relação a outros títulos do mesmo tipo e com o mesmo vencimento. Exemplo: em determinado momento, a maioria dos CDBs de bancos conhecidos está oferecendo a taxa de IPCA + 6% para vencimentos similares. Então, oferecem a você um outro CDB com taxa IPCA + 10%. Cuidado, pois provavelmente você estará incorrendo em riscos maiores que os demais.
- Ao investir em renda fixa, você geralmente está emprestando dinheiro para alguém. Se possível, avalie a confiabilidade deste alguém e as garantias oferecidas.
- Cuidado ao investir em títulos privados sem a garantia do FGC. Os retornos oferecidos podem ser relativamente mais atrativos mas os riscos também são maiores.
- Ao realizar investimentos sujeitos a marcação a mercado, principalmente em vencimentos mais longos, lembre-se que caso você precise fazer resgates antes do vencimento, você poderá incorrer em perdas inesperadas. A renda fixa, nestes casos, pode variar.
- Para investimentos de alta liquidez e segurança, entre Tesouro Selic e um CDB de um bom banco pagando 100% do CDI, prefira o CDB pois neste tipo de investimento não há cobrança de taxa de custódia, enquanto o Tesouro Direto cobra 0,2% ao ano sobre o valor investido em títulos públicos.
- No mercado secundário de Títulos Públicos, ou seja, quando você não compra via Tesouro Direto, não há cobrança de taxa de custódia. Entretanto, você acaba pagando "taxas invisíveis" pela diferença nos rendimentos e na liquidez. Então, por simplicidade, mesmo considerando a taxa de 0,2% ao ano, prefira negociar via Tesouro Direto quando forem títulos IPCA+ ou pré-fixados, a não ser que você saiba o que eu quis dizer com diferença nos rendimentos e na liquidez e, neste caso, seja capaz de analisar no detalhe qual a melhor alternativa.
- Pense bem ao destinar dinheiro para investimentos cuja liquidez é apenas no vencimento. Caso você precise do dinheiro antes da data de vencimento, poderá não conseguir fazer o resgate ou sofrer perdas. Planeje e não subestime sua necessidade de liquidez considerando anos a frente.
- A disponibilidade de títulos pode variar conforme o horário. Geralmente entre 10h e 15h é o horário em que você encontrará a maior variedade de títulos disponíveis.
- No geral, não tenha pressa. Se oferecerem a você algum investimento com urgência, não se deixe levar pela pressão. Avalie o investimento de acordo com o que você aprendeu. Se você perder a oportunidade, mesmo que boa, certamente haverão outras. Entretanto, se você perder dinheiro por ter escolhido rápido, não será tão simples de reaver o prejuízo.
- Por fim, dois pontos: não subestime sua necessidade futura de disponibilidade imediata de dinheiro e lembre-se que não existe alto retorno e baixo risco.
Renda Variável
- O que é uma bolsa de valores?
- O que são ações?
- O que são índices de ações e ETFs?
- O que são dividendos?
- O que são large, mid e small caps?
- O que é value, growth e blend?
- Precificação de ações.
- Outros tipos de ativos.
- Investimento ativo vs. investimento passivo.
- Tributação na renda variável.
- O que você deve ter cuidado.
- Então, o que fazer?
Renda Variável: O Que é Uma Bolsa de Valores?
- A Renda Variável é uma categoria de investimento em que não há taxas de rendimento previamente acordadas.
- Os resultados destes investimentos variam de acordo com fatores como desempenho econômico, cenário político, e o sucesso ou fracasso das empresas ou ativos em que se investe.
- Uma bolsa de valores é uma entidade privada e regulamentada que facilita as negociações de ativos financeiros, como ações, títulos, derivativos, entre outros.
- No geral, operações de renda variável são realizadas por meio de uma bolsa de valores.
- No Brasil existe uma única bolsa de valores, a Bolsa, Brasil, Balcão (B3). Entretanto, a existência de uma única bolsa de valores por país não é uma regra. Por exemplo, nos Estados Unidos três grandes bolsas de valores se destacam: a Nasdaq (NASDAQ), a New York Stock Exchange (NYSE), e a Chicago Board Options Exchange (CBOE).
- Curiosidade: as ações da B3 são negociadas na própria B3 com o código B3SA3.
- A B3 negocia diariamente, em média nos últimos anos e de forma aproximada a fim de dar uma ideia: R$20 bilhões em ações, R$200 bilhões em contratos de câmbio, R$300 bilhões em contratos de juros, R$400 bilhões em contratos de índices de ações, dentre outros ativos.
Renda Variável: O Que São Ações?
- Ações são o tipo de ativo financeiro mais conhecido no âmbito da renda variável.
- Se diz que uma empresa é "listada" quando suas ações são negociadas em uma bolsa de valores, o que significa que ela passou pelo processo de abertura de capital (Initial Public Offering – IPO).
- Ações representam frações do capital social de uma empresa (ex: Petrobrás), não possuem um vencimento e são negociadas via códigos (ex: PETR3, PETR4) que representam diferentes classes de ações (ex: ordinárias, preferenciais, units, etc).
- Ao comprar ações de uma empresa, você se torna acionista (sócio) da empresa. Ao vender, você deixa de ser acionista.
- Cada tipo de ação de cada empresa possui um preço por ação (ex: R$10) de acordo com a negociação mais recente. Este preço muda durante o horário de negociações da B3, geralmente entre 10h e 17h de dias úteis, conforme compradores e vendedores realizam negócios. Ou seja, os preços das ações são definidos por oferta e demanda.
- Por meio de plataformas digitais, compradores enviam ordens de compra especificando a quantidade e o preço desejado, enquanto vendedores apresentam ordens de venda com seus próprios parâmetros. Quando essas ordens se alinham, um negócio é realizado.
- Cerca de 400 empresas têm suas ações negociadas diariamente na B3. A soma dos valores de todas as negociações de uma determinada ação ou ativo em um determinado período (ex: dia) é denominada de volume financeiro. As ações de algumas das maiores empresas listadas na B3 chegam a negociar bilhões de reais por dia, enquanto as menores negociam poucos milhares de reais ou podem nem mesmo serem negociadas em alguns dias.
- Quanto maior o volume financeiro negociado, se diz que maior é a liquidez da ação. Ou seja, mais fácil é de você encontrar uma contraparte para a sua oferta de compra ou de venda e conseguir realizar negócios sem grandes distorções no preço.
- Um erro comum é pensar que uma ação de R$10 é mais barata do que outra de R$20 apenas porque R$10 é menor do que R$20. Na verdade, "caro" ou "barato" dependem das perspectivas de desempenho de cada empresa, não do valor nominal da ação. É possível, por exemplo, que uma ação de R$50 seja considerada barata, enquanto outra de R$1 seja cara, dependendo dos fundamentos e do potencial de cada negócio.
Renda Variável: O Que São Índices de Ações e ETFs?
- Índices de ações medem as mudanças nos preços de uma carteira (grupo) de ações.
- O principal índice de ações do Brasil é o Ibovespa (código IBOV), medido em pontos. Sua composição é reavaliada a cada quatro meses, reunindo aproximadamente 90 ações das empresas mais importantes do mercado de capitais brasileiro. Cada ação possui uma determinada participação no índice. Alguns exemplos são Vale, Itaú, Petrobrás, Banco do Brasil, Eletrobrás, WEG, Bradesco, B3, Ambev, BTG, JBS, Equatorial, Suzano, Rede D'Or, PetroRio, Localiza, Gerdau, Renner, entre outras.
- Vários outros índices de ações existem na B3 para medir o desempenho de determinados grupos de ações. Por exemplo, existem índices de segmentos e setoriais, como: Índice de Materiais Básicos (IMAT), Índice Financeiro (IFNC), Índice Utilidade Pública (UTIL), Índice de Energia Elétrica (IEEX), Índice de Consumo (ICON), Índice Imobiliário (IMOB), entre outros.
- Alguns dos principais índices de ações do mundo são: S&P 500 (EUA), Nasdaq Composite (EUA), Dow Jones Industrial Average (EUA), FTSE 100 (Inglaterra), DAX (Alemanha), Nikkei 225 (Japão), Hang Seng (Hong Kong), Shanghai Composite (China) e o MSCI World Index (Mundo).
- Entretanto, um índice não é um ativo negociado. Você não consegue comprar diretamente um índice de ações.
- Para resolver essa questão, existem os Exchange Traded Funds (ETFs), que são ativos negociados e sem vencimento que buscam replicar o desempenho de índices de ações. Ou seja, você não consegue comprar diretamente IBOV, mas consegue comprar os ETFs que replicam o desempenho do IBOV, como o BOVA11 e o BOVV11. Na B3 o ETF que replica o desempenho do S&P 500 em reais é o IVVB11. Ou seja, a variação do IVVB11 reflete a variação do S&P 500 e a variação do dólar. Note que os códigos de ETFs na B3 terminam com o número 11. Entretanto, nem todo ativo terminado com 11 é um ETF de índice.
- Um mesmo índice de ações pode ter vários ETFs que buscam replicar seu desempenho, mas nem todo índice necessariamente tem ETFs. Há índices que existem mas que por enquanto não possuem ETFs, como o UTIL, por exemplo.
- Resumindo, você não investe no Ibovespa. O Ibovespa é apenas uma medida do desempenho das ações das principais empresas do Brasil. O Ibovespa não tem preço, ele é medido em pontos. Você investe em algum dos ETFs que replicam o desempenho do Ibovespa, seja o BOVA11 ou o BOVV11. Os ETFs tem preço e o preço varia percentualmente conforme varia a medição dos pontos do Ibovespa. Por isso, se diz que os ETFs são ativos negociáveis que buscam replicar o desempenho de um índice de ações.

Renda Variável: O Que São Dividendos?
- No momento em que você compra ações de uma empresa, você se torna acionista dela e poderá ter direito a receber uma parte dos lucros.
- A principal forma de uma empresa distribuir lucros aos seus acionistas é mediante o pagamento de dividendos.
- O pagamento de dividendos de forma recorrente geralmente está associado a empresas maduras, que conseguem ter uma operação que gera resultados suficientes para realizar esses pagamentos.
- O pagamento de dividendos costuma ser anunciado pela empresa com as seguintes informações:
- Valor do Dividendo: R$ por cada ação código XYZ.
- Data Ex-Dividendo: a partir desta data, as ações serão negociadas sem o direito a receber o dividendo do anúncio em questão.
- Data de Registro ou Data de Corte: nesta data, serão identificados os acionistas que terão direito ao pagamento dos dividendos.
- Data de Pagamento.
- Quando o pagamento de dividendos é realizado, o preço da ação é ajustado. Por exemplo, se uma ação é negociada a R$ 50 e a empresa paga um dividendo de R$ 2, teoricamente o preço ajustado da ação no dia ex-dividendo será próximo de R$ 48. Esse ajuste reflete a transferência de valor da empresa para os acionistas.
- Dividendos são isentos de impostos e o pagamento é creditado na conta da corretora em que você detinha as ações na data de corte.
- É importante reconhecer um erro comum: o fato de uma empresa pagar dividendos não a torna, automaticamente, um bom investimento. É preciso avaliar integralmente a saúde financeira da empresa, as perspectivas do mercado em que atua e o contexto econômico em que se insere. Investir em uma empresa exige uma análise cuidadosa e completa.
- Outra forma comum de as empresas remunerarem seus acionistas, além dos dividendos, é o pagamento de Juros Sobre Capital Próprio (JCP). Para o acionista, a principal diferença está na tributação: enquanto o recebimento de dividendos é isento de Imposto de Renda (IR), o de JCP está sujeito à retenção de IR na fonte. Porém, a decisão sobre qual modalidade utilizar e em quais proporções cabe exclusivamente à empresa, não ao acionista.
- Proventos é um termo utilizado para fazer referência tanto a dividendos quanto a juros sobre capital próprio. Existe na B3 o ETF DIVO11 que reúne diversas empresas com destaque de remuneração dos investidores, tanto no pagamento de dividendos quanto juros sobre o capital próprio.
Renda Variável: O Que São Large, Mid e Small Caps?
- "Cap" vem de capitalização e refere-se ao valor de mercado de empresas listadas.
- O valor de mercado é uma forma de medir quanto uma empresa “vale” na bolsa de valores. Ele é calculado multiplicando o preço atual de cada ação pelo número total de ações da companhia. Exemplo: se existem 100.000 ações de uma empresa e cada ação for negociada a R$ 10, seu valor de mercado será de 100.000 * R$10 = R$ 1.000.000. Em teoria, isso significa que seria possível comprar a empresa inteira por R$ 1.000.000.
- Note que uma Empresa A com o preço por ação de R$50 não necessariamente possui um valor de mercado maior que uma Empresa B com o preço por ação de R$1. O valor de mercado depende da quantidade total de ações da empresa. Se existirem 10 ações da Empresa A, seu valor de mercado será 10 * R$50 = R$500. Se existirem 1.000 ações da Empresa B, seu valor de mercado será 1.000 * R$1 = R$1.000.
- Geralmente, empresas listadas possuem uma quantidade total de ações na casa dos milhões ou bilhões.
- Large, Mid e Small Caps são formas de classificar empresas de acordo com seu valor de mercado. As faixas de valores não são oficialmente definidas, mas como referência aproximada, considere:
- Micro Caps: empresas com valor de mercado de até R$ 1 bilhão.
- Small Caps: empresas com valor de mercado entre R$ 1 bilhão e R$ 5 bilhões.
- Mid Caps: empresas com valor de mercado entre R$ 5 bilhões e R$ 20 bilhões.
- Large Caps: empresas com valor de mercado acima de R$ 20 bilhões.
- Geralmente, quanto maior o valor de mercado, maior a liquidez das ações da empresa. Ou seja, maior a quantidade de ações negociadas diariamente e maior o volume financeiro.
Renda Variável: O Que é Value, Growth e Blend?
- Value, Growth e Blend são estilos de investimento que classificam ações de acordo com a relação entre o preço atual, o desempenho do negócio e as expectativas de crescimento.
- Value: ações consideradas “baratas”, pois o preço atual está abaixo do que se acredita ser seu "valor justo (intrínseco)". Exemplo: uma empresa bem gerida, mas que está em uma fase ruim do ciclo econômico, resultando em um valor de mercado e preço por ação menores do que seriam em condições normais.
- Growth: ações de empresas com alto potencial de crescimento. Exemplo: uma empresa que atualmente opera em apenas um estado, mas que está pronta para executar um plano de expansão para várias regiões do país, visando impulsionar de forma significativa suas vendas e lucros, futuramente resultando em um aumento do valor de mercado e preço por ação.
- Blend: combina as duas abordagens, reunindo ações com características de valor e de crescimento.
Renda Variável: Precificação de Ações
- Existem três formas principais nas quais você pode ganhar dinheiro investindo em ações: com o aumento (valorização) do preço da ação; via recebimento de dividendos; ou via recebimento de juros sobre capital próprio. As três formas são independentes.
- A principal forma de você perder dinheiro com ações é com a queda (desvalorização) do preço da ação.
- Como saber se uma determinada ação está "barata" ou "cara"? Como saber se o preço vai aumentar ou diminuir? Qual seria o "valor justo" (preço) de uma ação, onde ela não estaria nem "cara", nem "barata"?
- A verdade é que a precificação de ações e os movimentos dos preços de ações são temas altamente complexos, que exigem estudo, dedicação e experiência. Não se engane com análises superficiais citando indicadores. Não se engane com alguns gráficos encantadores que você verá. O ato de comprar e vender ações é simples e fácil, mas definir se está na hora de comprar ou vender uma ação em específico não é nem um pouco simples ou fácil.
- Ainda assim, vale mencionar dois fatores importantes relacionados à precificação de ações: as perspectivas sobre a geração de lucros das empresas e a curva de juros. Boas perspectivas de lucros e juros baixos aumentam o preço das ações. Perspectivas ruins de lucros e juros altos reduzem o preço das ações.
- Pense no seguinte: fundos de investimento, bancos e casas de análises possuem equipes dedicadas, pessoas altamente qualificadas e especializadas, acesso às melhores ferramentas, acesso aos melhores conteúdos e fontes de informação, analisam continuamente o ambiente econômico e as empresas, muitas vezes com várias pessoas totalmente dedicadas a poucas empresas ou até mesmo a uma única empresa. Ainda assim, conforme estudo Scorecard SPIVA da América Latina, nos últimos 10 anos, apenas 2 em cada 10 fundos ativos de renda variável do Brasil performaram melhor do que o índice de referência utilizado. De um total de 403 fundos inicialmente analisados, somente 126 continuaram existindo após os 10 anos.
- Lembre-se que uma ação é uma fração do capital social de uma empresa. Então, reflita: no geral, o Brasil é um bom país para empresas prosperarem?
- Entretanto, ações são um excelente assunto para geração de conteúdos e engajamento pois são tantas as possibilidades e novidades a cada instante que parece que você sempre está ficando por fora de alguma bola da vez. Tenha calma.
- A intenção aqui não é desestimular você a investir em ações, mas sim evidenciar que o Brasil, no geral, tem um ambiente econômico desafiador para o investimento em ações, que selecionar ações para investir não é tarefa simples e que mudar frequentemente suas ações geralmente acaba sendo prejudicial.
- Lembre-se que o desempenho de investimentos sempre deve ser avaliado de forma relativa. A tabela a seguir mostra o desempenho relativo entre o Ibovespa (principal índice de ações do Brasil) vs. a Taxa Selic (taxa de juros do Brasil) e também do S&P 500 (principal índice de ações dos EUA) vs. a Fed Funds Effective Rate (taxa de juros dos EUA). Os dados utilizados são do ano 2000 até o ano de 2024.
- A técnica de janelas móveis permite analisar como os retornos variam ao longo do tempo. Exemplo: o desempenho de hoje comparado ao de um ano atrás, o desempenho de ontem comparado a um ano e um dia atrás, o desempenho de anteontem comparado a um ano e dois dias atrás. Cada desempenho desses é uma amostra e, neste exemplo, o período é de um ano.
- Note que o retorno médio do investimento em ações no Brasil (A) geralmente não foi superior ao retorno médio oferecido pela Taxa Selic (B). Além disso, considere que investir em ações costuma ser mais arriscado do que investir no Tesouro Selic ou em algum CDB que remunere 100% do CDI.
- Já para uma pessoa americana, o retorno médio de investir em ações americanas (C) neste mesmo período foi significativamente mais vantajoso do que o retorno médio de investir na taxa de juros americana (D).

Renda Variável: Análise de Janelas Móveis do IBOV vs. Taxa Selic

Renda Variável: Análise de Janelas Móveis do SPX vs. EFFR

- Ainda assim, ações podem representar excelentes oportunidades de investimento, especialmente em períodos nos quais a economia cria um ambiente próspero aos negócios – com taxas de juros relativamente baixas, inflação controlada e uma política fiscal responsável. Nessas condições, não é incomum observar valorizações superiores a 100% nos preços de ações em horizontes de um a dois anos.
- Em teoria, a longo prazo (anos), os preços das ações acompanham a evolução dos lucros das empresas, pois esses lucros são a base para a criação de valor aos acionistas. No curto prazo (dias, semanas, meses), entretanto, os mais diversos fatores podem influenciar as cotações (preços).
- Você se lembra da curva de juros e dos conceitos de valor presente e valor futuro? A precificação de uma ação reflete os resultados futuros da empresa, convertidos para o valor de hoje. Assim, quando as expectativas de juros aumentam, o valor presente desses resultados diminui, afetando negativamente os preços das ações. Além disso, juros mais altos desestimulam o ambiente de negócios, reduzindo os resultados.
- As empresas listadas em bolsa tem a obrigação de divulgar publicamente seus resultados a cada trimestre. Desta forma, é possível acompanhar o desempenho da empresa. Também é possível entrar em contato com a área de Relações com Investidores (RI) das empresas para esclarecer dúvidas.
Renda Variável: Outros Tipos de Ativos
- Ações são o tipo de ativo financeiro mais conhecido no âmbito da renda variável, mas não o único. Alguns outros tipos de ativos de renda variável são:
- Exchange Traded Funds (ETFs): como você já viu, são ativos que replicam índices, setores ou estratégias, permitindo diversificação por meio de único ativo. ETFs não possuem vencimento.
- Brazilian Depositary Receipts (BDRs): são ativos que representam ações de empresas estrangeiras negociadas na B3. Por exemplo: Apple (AAPL34), Microsoft (MSFT34), Amazon (AMZO34), Alphabet (GOGL34), Meta (M1TA34), Nvidia (NVDC34) e Tesla (TSLA34), grupo nomeado de "Magnificent Seven". Além de refletir a variação do preço da ação americana (ex: código AAPL na Nasdaq), as BDRs também refletem a variação do dólar. Exemplo: se AAPL na Nasdaq subir 1% e a cotação do dólar subir 2% no mesmo período, a variação de AAPL34 será de aproximadamente 3%. O valor exato é calculado por (1 + 1%) * (1+2%) - 1. BDRs não possuem vencimento.
- Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs): são fundos que investem em empreendimentos imobiliários ou em títulos do setor, com cotas negociadas em bolsa e distribuição de rendimentos aos cotistas. Posteriormente os FIIs serão abordados no conteúdo sobre Fundos de Investimento. FIIs não possuem vencimento.
- Derivativos: incluem contratos futuros, opções, swaps, entre outros, e são utilizados para alavancagem, proteção ou especulação, estando diretamente ligados à variação dos ativos a qual fazem referência. Por isso o nome derivativo: o preço deriva de um outro ativo. Derivativos geralmente possuem vencimento.
Renda Variável: Investimento Ativo vs Investimento Passivo
- As estratégias de investimento ativo e investimento passivo são de simples compreensão.
- Investimento ativo: pessoas investidoras buscam superar o desempenho de um índice de referência (benchmark) como o Ibovespa, por meio de uma seleção criteriosa de ativos (ex: algumas ações específicas), acreditando que conseguirão ter um desempenho melhor que o índice de referência utilizado.
- Investimento passivo: pessoas investidoras buscam apenas replicar o desempenho de um índice de referência (benchmark) como o Ibovespa, geralmente por meio da compra de ETFs.
- A estratégia de investimento ativo geralmente resulta em custos maiores (taxas) em função do maior número de operações de compra e venda de ativos realizadas, bem como demanda maior dedicação para as tomadas de decisão, quando comparada a estratégia de investimento passivo.
- Na verdade, investimento ativo e investimento passivo são conceitos que não se aplicam somente a renda variável e sim de forma geral para a alocação de recursos financeiros, seja em renda fixa, renda variável ou em fundos de investimento.
Renda Variável: Tributação na Renda Variável
- Se você comprar uma ação, BDR ou ETF e depois vender por um preço mais alto (obteve lucro), a tributação será de sobre o ganho de capital (valor do lucro).
- Se você comprar uma ação, BDR ou ETF e depois vender por um preço mais baixo (obteve prejuízo), você não será tributado por ganho de capital e ainda poderá usar o valor desse prejuízo para compensar ganhos futuros em ativos do mesmo tipo.
- Se a compra e a venda de um mesmo ativo ocorrer em um mesmo dia (day trade), você pagará imposto em qualquer operação que resultar em ganho de capital. Se você incorrer em prejuízos em operações de compra e venda de um mesmo ativo em um mesmo dia (day trade), o prejuízo somente poderá ser utilizado para compensar ganhos em operações futuras em ativos do mesmo tipo e que também ocorram em um mesmo dia.
- O imposto sobre operações com ações, BDRs e ETFs não é retido na fonte. Ou seja, você é quem deve apurar (calcular) o resultado das operações a cada mês, conforme, por exemplo, você vende ativos que havia comprado. Caso as operações resultem em imposto a pagar, o pagamento deve ser feito por você até o último dia do mês subsequente às operações. Dada a complexidade das apurações, existem ferramentas online que ajudam a realizar os cálculos dos impostos de renda variável.
- Proventos: dividendos são isentos de imposto de renda enquanto juros sobre capital próprio (JCP) são tributados. A tributação de JCP é retida na fonte, ou seja, o dinheiro que você recebe de JCP é líquido de impostos.
- Você deve declarar os seus investimentos em renda variável, os proventos recebidos e os resultados das operações mensais na sua declaração anual do imposto de renda.
- As informações aqui apresentadas são apenas uma ideia geral. Sempre confira as regras e alíquotas aplicáveis aos seus investimentos com um profissional especializado.
Renda Variável: O Que Você Deve Ter Cuidado
- Dicas práticas para ajudar você ao investir em renda variável:
- Comprar uma ação apenas porque aparentemente ela caiu demais: não faça isso. Exemplo: uma ação que custava R$100 caiu 90% e agora custa R$10. Você compra a ação pois considera que ela caiu demais. Então, a ação cai de R$10 para R$1 e você perde 90% do seu investimento. Acredite, acontecer isso não é incomum.
- Vender uma ação apenas porque aparentemente ela subiu demais: não faça isso. Exemplo: uma ação que custava R$10 subiu 50% e agora custa R$15. Você vende a ação pois considera que ela subiu demais. Então, a ação sobe mais 50%, de R$15 para R$22,50. Acredite, acontecer isso não é incomum.
- Poucos gráficos e muitos convincentes: geralmente são escolhidos a dedo para fazer você acreditar em uma narrativa. Cuidado, gráficos podem ser construídos de diversas formas e serem recortados para períodos específicos que confirmam algum argumento.
- Análises superficiais e decisões baseadas em poucos indicadores: ah se fosse fácil assim. Você verá análises simples baseadas em indicadores como Preço/Lucro, Dividend Yield, Preço/Valor Patrimonial, indicadores de endividamento, indicadores de eficiência, indicadores de rentabilidade, entre tantos outros (existem dezenas de indicadores). Se olhar alguns indicadores fosse o suficiente para acertar quais ações terão um bom desempenho futuro, não seria fácil demais ganhar dinheiro? Um computador não poderia analisar todos os indicadores de todas as empresas em instantes e dizer quais ações vão performar bem? Entretanto, a maioria dos investidores ativos, mesmo os profissionais usando os softwares mais avançados disponíveis, não performam melhor que o índice de referência. Talvez as coisas não sejam tão simples quanto podem parecer.
- Concentração excessiva: não faça isso. Não destine percentuais expressivos do seu valor disponível para investimentos em apenas duas ou três ações, por mais confiante que você esteja. As vezes, coisas inesperadas e ruins acontecem com determinados ativos, por melhores que possam parecer. Você não vai querer estar nessa situação: ter uma surpresa ruim em uma parcela relevante dos seus recursos. Coisas inesperadas e boas também podem acontecer, mas basta uma única situação inesperada e ruim para que você fique substancialmente prejudicado.
- Aumentar o investimento em operações perdedoras: não faça isso. Este comportamento costuma ser bastante prejudicial e é o seguinte: quanto mais uma ação que você investiu cai, mais você busca confirmações apenas para seus argumentos de que ela está barata e mais dinheiro você investe nela, comprando cada vez mais enquanto a ação segue caindo.
- Trocar suas ações a todo instante: não faça isso. A todo instante haverão inúmeras novidades no mercado acionário, cada uma parecendo mais importante e impactante que a outra. Entretanto, você não deve trocar suas ações a cada novidade. Reavalie sua carteira de ações de tempos em tempos, conforme os resultados das empresas são divulgados e de acordo com as dinâmicas da economia.
- Comprar uma ação apenas porque você encontrou uma dica quente na internet: não faça isso. Ações são fontes de conteúdo constante e será comum você ver postagens sobre elas, algumas curtas e pouco elaboradas, mas em linguagem persuasiva, e que farão você sentir que aquela ação será o negócio da vez e que você não pode perder a oportunidade. Às vezes as pessoas na verdade estão querendo influenciar outros investidores (você) a comprarem uma determinada ação que elas já possuem, inflando o preço e beneficiando elas. O nome dado a isso é "Pump and Dump" e muitos casos envolvem ações com baixa liquidez.
- Pessoas na internet, sejam elas profissionais do mercado financeiro, influencers ou apenas pessoas investidoras: não aceite tudo como verdade e cuidado com os conflitos de interesse. O ambiente online nos proporciona ótimos conteúdos e discussões, eu mesmo já aprendi e sigo aprendendo muito acompanhando diversas pessoas e fontes de informação. Sugiro o seguinte método: avalie as pessoas em escalas de boa intenção, conflito de interesses, capacitação e experiência. A verdade é que pessoas bem intencionadas, com pouco ou nenhum conflito de interesses, muito bem capacitadas e com experiência significativa são raras. Outra sugestão: número de seguidores não afeta essa avaliação.
- Ações com baixa liquidez: cuidado. Ações com baixa liquidez são as que o volume financeiro total negociado por dia é relativamente baixo. Sugiro os seguintes valores como referência: menos de R$1 milhão negociados — altíssimo risco; menos de R$5 milhões negociados — alto risco; menos de R$ 20 milhões negociados — risco médio-alto; menos de R$50 milhões negociados — risco médio; até R$100 milhões negociados — risco médio-baixo; acima de R$100 milhões negociados — risco baixo. Entretanto, saiba que não é apenas porque uma ação tem alto volume de negociação que ela não é arriscada de outras formas.
- Confundir mercado de alta com inteligência: muito comum acontecer. Quando o mercado está muito forte e subindo, a grande maioria das ações se valorizam, mesmo as de empresas não tão boas. Entretanto, quando vem um mercado de baixa, as pessoas acabam perdendo todo o dinheiro que ganharam ou até mais. O ideal é ter vários anos de histórico de desempenho de uma pessoa ou de um fundo, além de diferentes fases dos ciclos econômicos, para que uma avaliação de desempenho seja mais confiável.
- As pessoas vão fazer questão de contar e se gabar quando ganham muito. As pessoas não vão contar quando perdem e vão disfarçar bem.
Renda Variável: Então, O Que Fazer?
- Lembre-se: selecionar ações para investir não é trivial, ainda mais no Brasil, e requer uma avaliação cuidadosa, considerando diversos fatores. Preferencialmente, invista de forma diversificada. Desconfie do que parecer muito simples, muito fácil, muito convincente, muito especial. Desconfie das certezas.
- A minha sugestão em termos gerais para pessoas investidoras que não disponham de vontade e tempo para se dedicar a estudar e acompanhar o mercado acionário, é a de que possuam sim exposição a ações, mas de forma moderada, com ações brasileiras e americanas, ambas por meio de uma estratégia passiva usando ETFs ao invés de selecionar e comprar ações específicas. Exemplo: ações representarem até 30% da sua carteira total de investimentos, por meio de um mix de ETFs como BOVA11, DIVO11, IVVB11 e talvez outros.
- A minha sugestão em termos gerais para pessoas investidoras que queiram adotar uma estratégia ativa na renda variável e que não atuem profissionalmente no mercado financeiro é de ir com calma, sem pressa, estudando o assunto e praticando por meio de pequenos investimentos, dedicando uma quantidade de dinheiro que não cause danos significativos em caso de perda, selecionando os ativos com base em aprendizados e não em dicas, acompanhando a evolução deles, conhecendo o mercado ao longo dos anos, ao longo das fases dos ciclos econômicos.
- Coisas que você provavelmente deve evitar: veremos a seguir.
Coisas Que Você Provavelmente Deve Evitar
Não são necessariamente ruins, mas você precisaria saber muito bem o que está fazendo.
- Alto retorno com baixo risco: não existe.
- Alavancagem: tentadora.
- Day Trade: parece fácil.
- Mercado futuro: parece fácil.
- Venda a descoberto ou short: parece legal.
- Opções: sou esperto.
- COE: parece interessante.
Coisas Que Você Provavelmente Deve Evitar: Alto Retorno com Baixo Risco
- Alto retorno com baixo risco não existe. Simples assim.
- Entretanto, comportamentalmente, é muito comum que pessoas se enganem e acreditem que encontraram algo especial, que descobriram algo que pouca gente entende, que são excepcionalmente inteligentes, que sabem qual será o comportamento de um ativo, ou que simplesmente terão sorte o suficiente para que as coisas dêem certo.
- Desta forma, pessoas acabam operando (comprando e vendendo) ativos cada vez mais complexos, como derivativos, que são instrumentos financeiros que o preço deriva do movimento de outros ativos, complicando ainda mais a precificação e avaliação do risco envolvido. Ao mesmo tempo, por estarem operando algo mais complexo, se sentem mais especiais.
- Derivativos não são ruins, pelo contrário, eles desempenham papéis extremamente importantes no mercado financeiro e são benéficos quando utilizados de forma adequada. A questão é que você precisa saber muito bem o que está fazendo ou os prejuízos podem ser maiores do que você sequer poderia imaginar.
- Além disso, existem operações nas quais, inclusive, é possível você ficar devendo dinheiro.
- Faço algumas sugestões simples, mas muito eficazes para ajudar a evitar prejuízos inesperados:
- Antes de operar ativos mais complexos (ex: derivativos), certifique-se de que você é capaz de ganhar dinheiro consistentemente com ativos relativamente mais simples (ex: ETFs e ações).
- Não opere derivativos sem, no mínimo, saber calcular o preço do derivativo.
- Não alavanque sem, no mínimo, saber calcular quantas vezes está alavancando e qual variação levaria você a perder todo o dinheiro investido.
- Não venda ativos que você não tem sem, no mínimo, compreender como essa operação pode gerar perdas inesperadas e significativas.
- Veremos a seguir alguns desses conceitos e operações, para que você saiba o que sugiro que você evite.
Coisas Que Você Provavelmente Deve Evitar: Alavancagem
- A alavancagem é tentadora, pois pode dar a impressão de ser fácil ganhar muito dinheiro usando pouco dinheiro.
- A alavancagem permite que, investindo uma quantia menor, você alcance resultados equivalentes a um investimento maior.
- Assim, tanto os ganhos quanto os prejuízos são ampliados.
- Por exemplo, existem ativos nos quais você alavanca 200x o valor investido.
- Ou seja, com R$1.000 reais investidos, você faz operações equivalentes ao valor de R$200.000 reais.
- Se o investimento variar apenas 0,5%, você ganha R$1.000 reais: 100% de lucro no seu investimento.
- Se o investimento variar apenas -0,5%, você perde R$1.000 reais: 100% de prejuízo no seu investimento.
- A minha sugestão é que você não alavanque seus investimentos.
Coisas Que Você Provavelmente Deve Evitar: Day Trade
- O conceito de day trade é simples: comprar e vender um mesmo ativo em um mesmo dia, com operações que podem durar de poucos segundos até algumas horas entre a compra e a venda.
- A execução do day trade é simples: comprar e vender via plataformas digitais é muito simples.
- Ganhar dinheiro com day trade de forma consistente não é simples: mas em um primeiro momento pode parecer que é.
- Existem muitas pessoas que ganham dinheiro ensinando como fazer day trade. Existem realmente muito poucas pessoas que ganham dinheiro consistentemente fazendo day trade. Preste atenção na diferença entre as duas frases.
- A minha sugestão é que se você não pretende atuar profissionalmente nesta área e se dedicar integralmente ao tema, então não opere day trade. Caso você deseje tornar essa a sua profissão principal, comece com calma e cautela, pois ainda assim as chances de sucesso são baixas.
Coisas Que Você Provavelmente Deve Evitar: Mercado Futuro
- Mercado futuro se refere ao mercado de contratos futuros, que são um tipo de derivativo.
- Contratos futuros possuem data de vencimento e possibilitam alavancagem significativa.
- Alguns contratos futuros bem conhecidos na B3 são:
- Contratos futuros de taxas de juros: a curva de juros resulta de diversos contratos futuros com diferentes vencimentos.
- Contratos futuros de índices de ações, como o Ibovespa.
- Contratos futuros de taxas de câmbio, como entre o real e o dólar americano.
- Existem inúmeros outros contratos futuros e não apenas na B3. Alguns exemplos muito conhecidos são:
- Contratos futuros de energia: petróleo, gás natural, eletricidade e outros.
- Contratos futuros de metais: ouro, prata, cobre e outros.
- Contratos futuros agrícolas: soja, milho, trigo, algodão, café, açúcar, boi gordo e outros.
- Contratos futuros são principalmente utilizados para operações táticas, proteções e alavancagem.
- A minha sugestão é que você não opere contratos futuros sem, no mínimo, saber calcular quantas vezes está alavancando, saber calcular qual variação levaria você a perder todo o dinheiro investido, além de compreender o que é volatilidade e o que é carrego.
Coisas Que Você Provavelmente Deve Evitar: Venda a Descoberto ou Short
- A venda a descoberto ou short significa vender um ativo que você não possui. Como assim?
- Isso é possível no mercado financeiro pois diversos ativos são padronizados. Ou seja, dado um mesmo código de ação, como VALE4, não há diferença entre a ação VALE4 que você possui e a ação VALE4 que outra pessoa possui. As ações VALE4 que você possui não são mais novas, mais velhas, melhores ou piores que as de outra pessoa. O ativo é o mesmo.
- Desta forma, é possível alugar ações, assim como se aluga imóveis. Uma pessoa, denominada doadora, que possui VALE4 pode permitir que outras pessoas aluguem suas ações, recebendo juros pelo aluguel. Outra pessoa, denominada tomadora, que aluga a ação pagando uma taxa de juros por isso, consegue então vender a ação sem a ter comprado. Posteriormente, a pessoa tomadora recompra a ação vendida e a devolve para a pessoa doadora, encerrando a operação de venda a descoberto. Como não há diferença entre ações com o mesmo código, a única coisa que importa é que a quantidade seja a mesma. Ou seja, se você alugou e vendeu 100 ações VALE4, você precisará em algum momento recomprar e devolver 100 ações VALE4.
- A operação de aluguel não é necessária, por exemplo, para contratos futuros, os quais você pode diretamente vender a descoberto.
- A operação na verdade é simples, mas para quem não a conhece, parece muito estranha. Então para que isso serve?
- A venda a descoberto é lucrativa caso o ativo se desvalorize. Por exemplo, se você vende a descoberto 100 ações VALE4 por R$20, você receberá 100 * R$20 = R$2.000. Se o preço da ação da VALE4 cair para R$15 e você recomprar as ações, você pagará 100 * R$15 = R$1.500 pela recompra. Digamos que o aluguel seja de 1%, você precisará ainda pagar 1% de R$2.000 = R$20. Então, seu lucro na operação foi de R$2.000 recebidos pela venda, menos R$1.500 pagos pela recompra, menos R$20 pagos pelo aluguel, resultando em R$480 reais.
- A operação de venda a descoberto é usada principalmente para proteção contra a desvalorização de ativos e para especulação. Além disso, ela pode resultar também em alavancagem.
- A minha sugestão é que você não realize operações de vendas a descoberto, principalmente de derivativos, sem, no mínimo, compreender como essa operação pode gerar perdas inesperadas e significativas.
Coisas Que Você Provavelmente Deve Evitar: Opções
- Opções são derivativos e fornecem para a pessoa que as compra a opção, mas não a obrigação, de comprar o ativo ao qual se referem, denominado ativo subjacente.
- Opções também podem ser vendidas a descoberto. A principal diferença que você precisa saber entre comprar opções e vender opções a descoberto é que comprando você pode rapidamente perder todo o dinheiro investido e vendendo a descoberto você pode rapidamente perder todo o dinheiro investido e ainda ficar devendo. Jamais venda opções a descoberto se você não compreender profundamente o que está fazendo. Isso não é uma brincadeira.
- Opções não são, de forma alguma, versões "mais baratas" das ações.
- A precificação de opções, quando calculada via modelo de Black-Scholes, deriva de 5 fatores: o preço do ativo subjacente; o preço de exercício; o tempo até o vencimento; a taxa livre de risco e a volatilidade do ativo subjacente.
- Opções são instrumentos muito importantes e amplamente utilizados no mercado financeiro, permitindo a realização de operações de proteção, especulação e alavancagem.
- A minha sugestão é que você não realize operações com opções sem, no mínimo, compreender o modelo de Black-Scholes, as gregas e como operações com opções podem fazer com que você fique devendo dinheiro.
- Existe um ditado conhecido no mercado financeiro que diz "opções são o cemitério dos malandros".
Coisas Que Você Provavelmente Deve Evitar: COE
- COE significa Certificado de Operações Estruturadas.
- Os COEs são produtos financeiros montados a partir da combinação de operações com ativos e derivativos, comercializados como um único ativo, o que justifica o termo “operações estruturadas” em seu nome.
- COEs podem parecer interessantes a um primeiro olhar. Entretanto, a estrutura pode compreender:
- Iliquidez do valor investido.
- Pouca transparência em relação às taxas embutidas. Exemplo: podem dizer que determinado COE não possui taxas quando, na verdade, taxas significativas podem estar embutidas na forma como a estrutura foi criada.
- Fazer referência a valores nominais e não reais. Exemplo: se determinado índice subir, você ganha um percentual da valorização. Se o índice cair, você recebe o valor investido de volta. Interessante, certo? Entretanto, a operação tem 1 ano de duração e a inflação no período é de 5%. Isso significa que, na verdade, ao receber o valor nominal investido de volta você está perdendo poder de compra, isso sem considerar o custo de oportunidade em outros investimentos.
- Questões de conversibilidade. Exemplo: você compra um COE e depois acaba com uma ação desvalorizada em mãos.
- Outros riscos e complexidade de avaliação da estrutura.
- A minha sugestão é que você não invista em COEs sem, no mínimo, saber avaliar a estrutura e as operações utilizadas.
Fundos de Investimento
- O que são fundos de investimento?
- As principais classes de fundos.
- Os principais pontos para avaliar fundos.
- O que você deve ter cuidado.
Fundos de Investimento: O Que São Fundos de Investimento?
- Fundos de investimento reúnem recursos de diversas pessoas investidoras.
- Todos os recursos são geridos de forma unificada por profissionais especializados.
- As pessoas que investem em fundos são denominadas de cotistas, pois, ao investirem, recebem cotas que representam sua participação no fundo.
- Você se lembra das estratégias de investimento ativo e passivo? Elas também se aplicam a fundos de investimento.
- A gestão de um fundo de investimentos que segue uma estratégia ativa é baseada em selecionar ativos específicos de forma que o desempenho do fundo supere o índice de referência (benchmark) definido.
- Quando um fundo segue uma estratégia passiva, o desempenho do fundo é baseado no desempenho do benchmark definido. Neste caso, se diz que o fundo é um fundo indexado.
- Geralmente, independentemente de adotar uma estratégia de investimento ativa ou passiva, a maioria dos fundos define qual seu benchmark.
- Os fundos de investimento podem ser listados ou não listados:
- Listados: As cotas são negociadas em uma bolsa de valores, da mesma forma como ações, por meio de códigos. Compradores e vendedores enviam ordens e realizam negócios conforme essas ordens se alinham, mediante oferta e demanda.
- Não listados: Os investidores podem realizar aportes e resgates diretamente com a administradora do fundo ou por meio de uma corretora de valores. Quando a transação ocorre via corretora, ela atua como intermediária tanto na negociação entre o investidor e a administradora (em operações de aporte e resgate) quanto na facilitação das negociações entre investidores (em operações de compra e venda de cotas) no mercado secundário.
- O desempenho do fundo é medido pelo valor da cota, que reflete o resultado do seu investimento. Assim, se a cota se valoriza, o valor do seu investimento aumenta; ao se desvalorizar, ele diminui.
Fundos de Investimento: As Principais Classes de Fundos
- Os fundos de investimento são organizados em classes que refletem os tipos de ativos em que investem e as estratégias adotadas pelos gestores. As principais classes são:
- Fundos de Renda Fixa: Investem a maior parte dos recursos em ativos de renda fixa. Geralmente adotam como benchmark o CDI (referente ao desempenho da Taxa DI) ou o IMA-B (referente ao desempenho de títulos públicos atrelados à inflação).
- Fundos de Ações: Investem a maior parte dos recursos em ações. Geralmente adotam o Ibovespa ou outros índices de ações como benchmark.
- Fundos Imobiliários: Investem a maior parte dos recursos em ativos imobiliários. Geralmente adotam o IFIX como benchmark, referente ao desempenho médio dos principais Fundos de Investimento Imobiliários (FIIs) negociados na bolsa.
- Fundos Cambiais: Investem a maior parte dos recursos em moedas. Geralmente adotam como benchmark o desempenho de alguma moeda, como o dólar americano em relação ao real.
- Fundos de Crédito Privado: Investem a maior parte dos recursos em títulos de dívidas de empresas, como debentures. Geralmente adotam o CDI como benchmark.
- Fundos de Investimento em Direitos Creditórios: investem a maior parte dos recursos em direitos creditórios, ou seja, nos recebíveis originados de vendas ou operações de crédito. Geralmente adotam o CDI como benchmark.
- Fundos de Participação: Investem a maior parte dos recursos em participações societárias geralmente de empresas não negociadas em bolsa. Geralmente não possuem um benchmark padrão.
- Fundos Multimercado: a classe mais flexível de fundos, permite investir os recursos nos mais variados tipos de ativos, inclusive nas demais classes de fundos. Geralmente adotam o CDI como benchmark, mas pode variar caso a caso.
- Além de sua classificação, cada fundo adota estratégias de investimento próprias. Por exemplo, conforme sua política de investimentos, o fundo pode ou não alocar recursos em ativos internacionais.
Fundos de Investimento: Os Principais Pontos para Avaliar Fundos
- Alguns pontos para considerar e informações para buscar ao avaliar fundos de investimento:
- Qual a classe do fundo? Ao conhecer a classe do fundo e aplicar as informações deste guia sobre os diversos tipos de ativos e operações, você terá uma visão preliminar dos fatores que podem influenciar os retornos do fundo e os riscos envolvidos.
- Qual o benchmark do fundo? Assim você saberá com o que comparar o desempenho do fundo.
- Quais taxas incidem? Algumas das principais são:
- Taxa de Administração: cobrada independentemente da performance do fundo.
- Taxa de Performance: cobrada de acordo com a performance do fundo.
- Taxa de Custódia: cobrada como se fosse uma taxa de manutenção do investimento.
- Cada fundo define quais taxas são aplicáveis e por quais regras, verifique caso a caso.
- Quais tributos (impostos) incidem? Verifique caso a caso, pois varia conforme a classe do fundo e características específicas.
- Existe um período de carência após o investimento? Se existir um período de carência, você não poderá solicitar resgates antes deste período.
- Qual o prazo de cotização? O prazo de cotização é o período em que o fundo calcula o valor da cota para resgates. Nesse intervalo, o valor do seu investimento é reavaliado com base na variação dos ativos do fundo, e o valor que você receberá será o apurado nessa data, não o valor atual. Por exemplo, se hoje seu investimento vale R$10.000 e você solicita o resgate com prazo de cotização de 60 dias, o valor final será definido em 60 dias. Se nesse período a cota cair e seu investimento passar a valer R$8.000, você receberá R$8.000; se a cota subir e valer R$12.000, você receberá R$12.000. Ou seja, o valor final não é determinado na data da solicitação, mas na data de cotização.
- Qual o prazo de liquidação? O prazo de liquidação se refere a quanto tempo após você solicitar o resgate o dinheiro estará disponível em sua conta. Esse prazo pode variar desde o valor estar disponível no mesmo dia em que a solicitação é efetuada até meses de espera para receber o valor.
- Qual o Patrimônio Líquido (PL) do fundo? O PL representa o valor dos investimentos e recursos sob a gestão do fundo. Fundos com PL inferior a R$50 milhões podem enfrentar dificuldades para sua continuidade e para atrair talentos, já que sua remuneração está diretamente relacionada às taxas cobradas dos investidores. Em outras palavras, fundos muito pequenos podem gerar receitas insuficientes para manter suas operações. Por outro lado, fundos que administram bilhões de reais também podem ter desafios, como a dificuldade em alocar grandes quantias de forma eficiente. Em minha opinião, os fundos mais interessantes – especialmente dentre os que adotam estratégias de gestão ativa – costumam ter um PL entre R$100 milhões e R$1 bilhão, faixa que permite uma remuneração adequada para a equipe sem comprometer a flexibilidade na movimentação e escolha dos ativos.
- Há quanto tempo o fundo existe? Fundos com uma trajetória consolidada, que passaram por diferentes ciclos econômicos e períodos políticos, costumam ser considerados mais confiáveis do que aqueles com histórico recente.
- Qual a performance histórica do fundo? É comum que fundos sejam promovidos com base em desempenhos expressivos observados em períodos curtos, como alguns meses ou até um ano. Contudo, tais períodos geralmente não são suficientes para uma avaliação abrangente da performance, além de o desempenho passado não garantir resultados futuros. No módulo “Avaliação de Performance” deste guia, você aprenderá alguns métodos para analisar se um desempenho foi realmente consistente e satisfatório.
- Quem é a pessoa ou a equipe gestora? A equipe que administra o fundo é responsável por definir e executar sua estratégia de investimentos. Verifique as credenciais e o histórico profissional dos gestores e, se possível, observe se há mudanças frequentes na equipe, pois isso pode sinalizar instabilidade ou reestruturações na estratégia.
- Caso deseje obter informações mais detalhadas sobre um fundo, solicite e leia o regulamento completo do fundo.
- Avaliar fundos é uma atividade complexa. As perguntas sugeridas aqui servem como um ponto de partida, representando o mínimo de questionamentos essenciais a serem respondidos antes de investir em qualquer fundo. No entanto, é comum que muitas pessoas invistam sem sequer se questionarem ou buscarem essas respostas mínimas necessárias para fundamentarem suas decisões.
Fundos de Investimento: O Que Você Deve Ter Cuidado
- Dicas práticas para ajudar você ao investir em fundos de investimento:
- Evite investir sem antes responder as perguntas mencionadas na seção "Os Principais Pontos para Avaliar Fundos".
- Investimentos em fundos não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Portanto, se o fundo enfrentar dificuldades e for liquidado ou quebrar, há a possibilidade de você não recuperar o seu capital investido.
- Busque informações sobre a estratégia do fundo. Muitos fundos fornecem transparência por meio de cartas de gestão, lives, podcasts e outros materiais que explicam como seu dinheiro é investido. Se você já investe ou pretende investir, confira se essas informações estão disponíveis para que você tome decisões com mais segurança.
- Alguns fundos de crédito privado investem em ativos com menor liquidez e maturação mais longa, o que pode demandar um período prolongado para geração de retornos. Por isso, ao investir nesses fundos, é importante estar preparado para a possibilidade de ter que manter seu capital aplicado por dez anos ou mais.
- Se o fundo for listado, verifique o volume financeiro diário. Lembre-se de que, nesses casos, não são apenas os dividendos que importam, mas também a variação do preço do ativo.
- Preste atenção às taxas de administração e custódia, pois elas são cobradas independentemente do desempenho do fundo.
- Atente-se aos prazos de cotização e liquidação, essenciais para assegurar que a disponibilidade do seu dinheiro esteja de acordo com suas necessidades e objetivos.
- Diversifique sua carteira de investimentos: não concentre todos os seus recursos apenas em fundos de investimento.
Além do Brasil
- Investimentos no exterior.
- Criptoativos.
Além do Brasil: Investimentos no Exterior
- Assim como no Brasil, investimentos no exterior também são categorizados entre Renda Fixa, Renda Variável e demais classes de ativos. O conteúdo deste módulo será focado em investimentos nos Estados Unidos, o maior mercado financeiro do mundo.
- Uma questão importante a ser compreendida é que ter exposição a performance de ativos no exterior não necessariamente significa enviar dinheiro para o exterior.
- Você pode investir em ativos do exterior via:
- corretoras no Brasil (por meio de BDRs e ETFs);
- contas internacionais de corretoras no Brasil;
- ou você pode efetivamente enviar seu dinheiro para fora do Brasil.
- Investindo via ETFs e BDRs na B3, com o preço dos ativos em reais:
- Você investe direto com o preço em reais, onde a variação do dólar já está contemplada. Exemplo: na Nasdaq, onde a Apple está listada, o código é AAPL e o preço é em dólares. Você investe via BDR na B3, código AAPL34, com preço em reais. Isso significa que se a AAPL variar 10% na Nasdaq e o dólar se apreciar 5% no mesmo período, o preço da BDR em reais já irá representar diretamente uma variação de 15,5% ((1 + 10%) * (1 + 5%) - 1).
- A principal vantagem de investir via B3 é a simplicidade. Entretanto, você tem acesso limitado a apenas alguns ativos de renda variável.
- Exemplo de ETF na B3: IVVB11 para investir no S&P 500.
- Exemplos de BDRs na B3: MSFT34 (Microsoft), AAPL34 (Apple), NVDC34 (Nvidia), GOGL34 (Alphabet), AMZO34 (Amazon), M1TA34 (Meta) e TSLA34 (Tesla).
- Investindo via conta internacional, com o preço dos ativos em dólares:
- Você primeiro converte reais para dólares, depois investe em dólares.
- Entretanto, seu dinheiro continua sendo custodiado por uma instituição do Brasil.
- Você também conta com uma boa variedade de ativos disponíveis para investimento, mas nem sempre tanto quanto uma conta no exterior.
- Exemplo de ETF na New York Stock Exchange: VOO para investir no S&P 500.
- Exemplos de ações na Nasdaq: MSFT (Microsoft), AAPL (Apple), NVDA (Nvidia), GOOG (Alphabet), AMZN (Amazon), META (Meta) e TSLA (Tesla).
- Investindo via conta no exterior (enviando dinheiro para fora do Brasil), com o preço dos ativos em dólares:
- Você abre uma conta em uma instituição com sede em outro país (Estados Unidos).
- Você faz uma transação convertendo reais para dólares e envia o dinheiro para essa conta.
- Então, você realiza seus investimentos diretamente em dólares.
- Desta forma, seu dinheiro estará custodiado em outro país, o que pode significar mais segurança jurídica.
- Além disso, você conta com uma ampla variedade de ativos disponíveis para investimento.
- De forma geral, os mesmos ensinamentos e dinâmicas sobre Ambiente Econômico, Renda Fixa e Renda Variável se aplicam a investimentos no mercado americano.
- Ambiente Econômico: a taxa básica de juros americana é a Fed Funds Rate e a principal medida de inflação é o Consumer Price Index.
- Renda Fixa: títulos públicos são denominados Treasuries enquanto títulos de empresas são denominados Bonds. Assim como no Brasil, títulos de empresas são mais arriscados que títulos públicos.
- Algumas empresas brasileiras emitem títulos de dívida no exterior, em dólares. Ao investir no exterior, você geralmente está buscando diversificação. Neste caso, sugiro evitar títulos em dólares de empresas brasileiras pois, na verdade, você segue exposto ao risco de uma empresa brasileira, reduzindo o efeito de diversificação dos seus investimentos.
- Renda Variável: ETFs são denominados ETFs pois este já é um nome em inglês (Exchange Traded Funds) e ações são stocks ou equities. Os mesmos conceitos de large, mid e small caps se aplicam, assim como os perigos relacionados, por exemplo, a ações com pouca liquidez. Derivativos são denominados derivatives e você também deve evitá-los pelos mesmos motivos apresentados para o Brasil.
- Fundos de Investimento: são denominados funds, entretanto as classes de fundos são significativamente diferentes das classes usadas no Brasil.
- Agora, vamos ver como foi o desempenho relativo entre a cotação do real brasileiro em relação ao dólar americano vs. a Taxa Selic. Os dados utilizados são do ano 2005 até o ano de 2024.
- A técnica de janelas móveis permite analisar como os retornos variam ao longo do tempo. Exemplo: o desempenho de hoje comparado ao de um ano atrás, o desempenho de ontem comparado a um ano e um dia atrás, o desempenho de anteontem comparado a um ano e dois dias atrás. Cada desempenho desses é uma amostra e, neste exemplo, o período é de um ano.
- Note que o retorno médio de possuir apenas dólares (e não ativos em dólares) como investimento (A) não foi superior ao retorno médio oferecido pela Taxa Selic (B). Entretanto, em períodos em que o ambiente econômico brasileiro é mais desafiador e a situação econômica do país se fragiliza, o dólar americano tende a se valorizar frente ao real brasileiro, fornecendo bons retornos e segurança.


- As minhas sugestões, de forma geral, sobre investimentos no exterior são as seguintes:
- Evite possuir apenas dólares ou fundos cambiais como investimento, prefira ativos em dólar, como títulos de renda fixa, ETFs e ações.
- As mesmas questões que você aprendeu a cuidar em renda fixa e renda variável no Brasil, você também deve cuidar em renda fixa e renda variável no mercado americano.
- Priorize renda fixa no Brasil e renda variável nos Estados Unidos. Devido às diferenças econômicas entre os dois países, a renda fixa no Brasil historicamente oferece retornos mais atrativos em comparação à dos Estados Unidos, enquanto a renda variável nos Estados Unidos tende a superar a do Brasil em desempenho. Isso não significa que você deva excluir totalmente a renda fixa nos Estados Unidos ou a renda variável no Brasil, mas sim alocá-las em menor proporção na sua carteira.
- Sugiro evitar que mais de um terço (33%) dos seus investimentos esteja dolarizado. Se você vive no Brasil e sua rotina está principalmente atrelada à dinâmica da inflação local, há excelentes opções, especialmente em renda fixa, para preservar seu poder de compra e obter bons retornos reais. Enquanto isso, a parcela dolarizada da sua carteira pode atuar como uma proteção em momentos de grandes desafios na economia brasileira.
Além do Brasil: Criptoativos
- Criptoativos são todos os ativos digitais baseados em criptografia e tecnologia blockchain. Eles podem ter diferentes finalidades, como representar moedas, contratos, obras de arte digitais, entre outros.
- Criptomoedas, como Bitcoin, são um tipo específico de criptoativo, atuando como uma moeda digital.
- O Bitcoin é a mais conhecida moeda digital descentralizada, ou seja, não é controlado por governos ou bancos. Ele funciona por meio da blockchain, um sistema que registra todas as transações de forma transparente e segura, sem intermediários. O Bitcoin também tem uma oferta limitada, o que o diferencia do dinheiro tradicional, cuja emissão é controlada pelos bancos centrais. Existem inúmeras criptomoedas além do Bitcoin, assim como vários outros tipos de criptoativos.
- Infelizmente, as discussões sobre criptoativos costumam ser polarizadas e carregadas de emoção, com pessoas defendendo fervorosamente que são o melhor investimento, enquanto outras argumentam que nem deveriam ser considerados como investimento.
- A minha visão é de que qualquer ativo possui suas forças mas também suas fraquezas, de forma que nenhum ativo é sempre melhor ou sempre pior.
- A minha opinião é que investir em criptoativos continua sendo significativamente arriscado e alto risco não necessariamente resulta em altos retornos. Considero, também, que o maior potencial de valorização do Bitcoin já tenha se realizado e que atualmente a relação entre risco e retorno seja bem menos atrativa do que já foi. Ainda devemos ver criptomoedas apresentando retornos expressivos no futuro, mas na minha opinião a chance de você acertar quais serão essas moedas e em quais momentos isso aconteceria são realmente mínimas.
- A minha sugestão é que se você deseja investir em criptoativos, limite o investimento a algo entre 1% a 3% do total dos seus recursos. Dê preferência a ativos consolidados, como o Bitcoin, investindo via ETFs por simplicidade. Por exemplo, na B3 o ETF BITH11 é uma alternativa interessante, mas a minha principal sugestão é o ETF HASH11, que reúne cerca de 10 criptoativos em sua composição, dentre eles o Bitcoin.
- Considerando a minha sugestão de baixa alocação em criptoativos, este guia não irá se estender no assunto.
- Por fim, lembre-se: As pessoas vão fazer questão de contar e se gabar quando ganham muito. As pessoas não vão contar quando perdem e vão disfarçar bem.
- Além disso, desconfie das certezas. Desconfie de quem sabe o que vai acontecer.
Avaliação de Performance
- Performance absoluta.
- Performance relativa e benchmarks.
- Performance ajustada ao risco.
Avaliação de Performance: Performance Absoluta
- A performance absoluta é simplesmente o resultado percentual do seu investimento.
- Por exemplo: Se você investiu R$10.000 e o resultado foi de R$12.500, sua performance absoluta foi de 25%. Por outro lado, se o resultado foi de R$7.500, a performance absoluta foi de -25%.
- Neste caso, a simplicidade pode ser enganosa: uma rentabilidade positiva de 25%, como no exemplo, não significa necessariamente um bom desempenho. Da mesma forma, uma rentabilidade negativa de -25% não indica, por si só, um resultado ruim.
- Veremos a seguir como uma performance absoluta positiva pode ser ruim e uma performance absoluta de negativa pode ser boa.
Avaliação de Performance: Performance Relativa e Benchmarks
- Já vimos que uma visão relativa em investimentos é mais interessante do que uma visão absoluta ou isolada.
- Além disso, você também aprendeu que diferentes investimentos usam diferentes índices de referência. No Brasil, de forma geral, se usa o CDI como benchmark para renda fixa e o Ibovespa como benchmark para renda variável.
- A performance relativa é a diferença entre o resultado de um investimento e o benchmark deste investimento.
- Digamos que você fez um investimento em renda fixa e o retorno foi de 10%. Considere que no mesmo período o retorno do CDI tenha sido de 12,5%. Mesmo que o resultado do seu investimento tenha sido positivo, ele ficou 2,5% abaixo do índice de referência. Ou seja, o investimento foi ruim em comparação ao benchmark.
- Agora, imagine que você fez um investimento em renda variável e o retorno foi de -5%. Considere que no mesmo período o retorno do Ibovespa tenha sido de -10%. Mesmo que o resultado do seu investimento tenha sido negativo, ele ficou 5% acima do índice de referência. Ou seja, o investimento foi bom em comparação ao benchmark.
- A ideia de um benchmark é representar uma alternativa simples e acessível de investimento, servindo como um parâmetro realista de comparação. Se um investimento não supera seu benchmark de forma consistente, pode ser mais vantajoso investir diretamente no próprio índice de referência.
Avaliação de Performance: Performance Ajustada ao Risco
- Mesmo que a performance relativa seja positiva, com o retorno do investimento superando o do benchmark, isso ainda não significa que o resultado tenha sido realmente bom.
- Você se lembra que não devemos avaliar apenas o retorno, mas sim retorno em relação ao risco?
- Imagine que você está avaliando o desempenho de um investimento ao longo de um período. Durante a maior parte desse tempo, ele sofreu fortes oscilações e teve retornos bem abaixo do benchmark. Porém, próximo ao final, ocorre uma recuperação rápida e expressiva, fazendo com que termine ligeiramente acima do benchmark.
- Embora o investimento tenha superado o benchmark no resultado final, sua performance ao longo do tempo foi, na maior parte do período, insatisfatória.
- Há várias formas matemáticas de avaliar a performance ajustada ao risco, mas para manter o conteúdo leve, este guia evita detalhamentos matemáticos. Em vez disso, utilizaremos métodos simples mas que oferecem uma boa noção sobre a qualidade de um desempenho.
- Algumas formas simples de avaliar performance em relação ao risco:
- Lembra da técnica das janelas móveis? Ela mostra como os retornos do investimento e do benchmark variam ao longo do tempo. Por exemplo: comparar o retorno de hoje com o de um ano atrás, o de ontem com o de um ano e um dia atrás, e assim por diante. Essa análise na maioria das vezes não é disponibilizada, mas se for, é muito útil para avaliar o desempenho.
- Agora vamos falar sobre algo mais comum e acessível: gráficos simples comparando o desempenho do investimento com o do benchmark, a partir de uma data inicial. Como já vimos no guia, esses gráficos podem destacar períodos específicos para melhorar a aparência do investimento. Mas, com as próximas dicas, você conseguirá reduzir esse efeito e avaliar melhor a qualidade do desempenho.
- Considere um histórico de desempenho de pelo menos dois anos. Períodos mais curtos normalmente não são suficientes para avaliar como o desempenho reage às mudanças no ambiente econômico.
- Tenha cuidado também com períodos muito longos, como mais uma década. Nesses casos, retornos significativos ocorridos no início podem influenciar fortemente o resultado percentual acumulado, mesmo que não se repitam mais.
- Dito isso, observe o gráfico e avalie com as perguntas a seguir como o desempenho relativo variou ao longo do tempo:
- Quais foram as maiores quedas entre os picos e os fundos do gráfico?
- O investimento e o benchmark oscilaram de forma semelhante, ou algum deles apresentou movimentos muito maiores?
- Como foi o desempenho em períodos positivos? E durante períodos negativos?
- Como foi a recuperação após os momentos ruins?
- Ao responder essas perguntas, você naturalmente terá uma boa percepção sobre o desempenho em relação ao risco.
- Por fim, lembre-se: resultados passados não garantem retornos futuros.
Previdência e Aposentadoria
- A dinâmica de se aposentar.
- Previdência pública.
- Previdência privada.
- Previdência vs. seus investimentos.
Previdência e Aposentadoria: A Dinâmica De Se Aposentar
- A previdência compreende diferentes modelos financeiros que garantem alguma renda ao trabalhador ou aos seus dependentes em situações como aposentadoria, invalidez ou falecimento.
- De maneira simples, a aposentadoria pode ser vista como o momento da vida em que você não precisa mais trabalhar para se sustentar.
- Isso não significa necessariamente parar de trabalhar, mas sim não depender mais do trabalho para viver. A decisão sobre continuar trabalhando, assim como a intensidade desse trabalho, passa então a ser uma escolha pessoal.
- Dessa forma, surgem quatro perguntas importantes, porém desafiadoras:
- Qual a idade máxima que você gostaria de se aposentar, considerando a ideia de não precisar mais trabalhar?
- Qual é a expectativa de vida que você deseja considerar para si mesmo?
- Qual é o valor mínimo mensal, em valores atuais e de acordo com o um padrão de vida que você considere aceitável, que você acredita ser suficiente para que uma pessoa idosa viva confortavelmente?
- Você deseja deixar algum patrimônio ou herança para familiares ou terceiros?
- O uso de valores atuais nas respostas dessas perguntas parte da ideia de que suas contribuições e investimentos vão render no mínimo o mesmo que a inflação ao longo do tempo.
- Veremos como as respostas a essas perguntas se relacionam com a previdência pública, a previdência privada e seus investimentos pessoais.
Previdência e Aposentadoria: Previdência Pública
- O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) é o órgão responsável por administrar os benefícios da Previdência Social no Brasil, tais como aposentadoria, auxílio-doença, aposentadoria por invalidez e pensão por morte.
- A previdência pública no Brasil é um sistema de proteção social mantido pelo governo e financiado por contribuições obrigatórias de trabalhadores e empregadores, além de contribuições facultativas feitas por pessoas que desejam garantir sua cobertura previdenciária.
- A previdência pública funciona sob o modelo de repartição simples, em que as contribuições dos trabalhadores ativos não são investidas para gerar retornos futuros, mas sim utilizadas imediatamente para pagar os benefícios dos aposentados e pensionistas atuais.
- Por isso, é fundamental que o sistema previdenciário esteja em equilíbrio financeiro, garantindo que as contribuições sejam suficientes para cobrir os benefícios pagos. Para assegurar a sustentabilidade desse modelo ao longo do tempo, o governo pode realizar ajustes periódicos nas regras previdenciárias.
- Se você é trabalhador com carteira assinada (CLT), sócio que recebe pró-labore ou contribuinte facultativo, terá direito à previdência pública conforme as regras aplicáveis à sua modalidade de contribuição.
- A previdência pública oferece benefícios vitalícios, ou seja, você terá uma renda garantida por toda a vida. Dessa forma, ela reduz o risco financeiro associado à longevidade, mitigando o problema de viver mais tempo do que o planejado.
- Atente-se ao fato de que o valor que você receberá como aposentadoria não é necessariamente o mesmo que você recebe como salário, verifique as regras aplicáveis ao seu caso em específico.
- Entretanto, por adotar o modelo de repartição simples, o valor dos benefícios futuros dependerá do equilíbrio financeiro do sistema naquele momento. Ou seja, você não acumula um saldo individual, como ocorreria em planos previdenciários privados ou em investimentos pessoais.
- Diante disso, recomendo fortemente que você tenha um planejamento financeiro pessoal que não dependa exclusivamente do INSS.
Previdência e Aposentadoria: Previdência Privada
- A previdência privada no Brasil é um investimento voluntário e independente da aposentadoria pelo INSS.
- O modelo majoritariamente utilizado é o de capitalização individual, onde cada participante acumula um saldo pessoal de valores a receber conforme suas contribuições.
- Ao se aposentar, o recebimento dos valores pode ocorrer integralmente de uma única vez, parcialmente, ou como uma renda mensal temporária ou vitalícia, dependendo das características do plano contratado.
- Algumas empresas utilizam o aporte patronal (matching) para incentivar a previdência privada dos funcionários, contribuindo com um valor extra proporcional ao que a pessoa colaboradora deposita no plano. Isso aumenta o saldo acumulado para a aposentadoria sem custo adicional para a pessoa, sendo um benefício bem atrativo.
- No momento da contratação do plano, é preciso escolher entre as modalidades PGBL e VGBL e entre os regimes de tributação regressivo e progressivo:
- Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL): Permite deduzir até 12% da renda bruta anual no IR, mas na retirada, o imposto incide sobre todo o saldo e não apenas sobre os rendimentos. Indicado para quem declara o IR no modelo completo.
- Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL): Não oferece dedução no IR, mas na retirada, o imposto incide somente sobre os rendimentos. Melhor para quem usa o modelo simplificado ou já atingiu o limite de dedução.
- Regime de Tributação Regressivo: Ideal para quem planeja resgatar ou se aposentar no longo prazo (no mínimo 10 anos), pois a alíquota do IR reduz com o tempo, variando de 35% (até 2 anos) a 10% (acima de 10 anos).
- Regime de Tributação Progressivo: Segue a tabela do IR para pessoa física (0% a 27,5%) e pode ser vantajoso para quem terá renda menor no futuro, ou pretende ficar dentro das faixas isentas ou reduzidas do IR.
- Além disso, valores de previdência privada geralmente não estão sujeitos ao ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação), enquanto investimentos tradicionais costumam ser tributados na sucessão patrimonial.
- A previdência privada é interessante em função dos benefícios tributários que ela oferece. Além disso, caso você trabalhe em uma empresa que ofereça aporte patronal, ela se torna uma ótima opção de investimento de longo prazo.
Previdência e Aposentadoria: Previdência vs. Seus Investimentos
- Se você é trabalhador com carteira assinada (CLT) ou sócio que recebe pró-labore, a previdência pública será uma contribuição obrigatória. Dito isso, a minha sugestão é que você não planeje depender exclusivamente dela.
- A minha sugestão sobre previdência privada é que você destine a ela entre 10% e 20% do seu total disponível para investimentos. Assim você aproveita as vantagens tributárias, aportes patronais (quando aplicável) e diversifica seus investimentos.
- Ao planejar sua aposentadoria, é essencial combinar de forma estratégica os benefícios da previdência pública (quando aplicável), da previdência privada e dos seus outros investimentos, garantindo assim recursos suficientes para atender às necessidades identificadas nas quatro perguntas-chave descritas anteriormente na seção "A Dinâmica de se Aposentar".
- Pense sempre em valores atuais para avaliar adequadamente seu poder de compra. Considere que, com os conhecimentos adquiridos neste guia, você poderá alcançar retornos reais positivos (acima da inflação) ao longo do tempo.
- Se preparar para ter uma aposentadoria tranquila pode não ser tão simples, mas você aprende neste guia o suficiente para realizar isso. Planeje adequadamente seus investimentos e no futuro você será grato a si mesmo.
Finanças Comportamentais, Saúde e Informações Gerais
- Vieses e investimentos.
- Finanças e saúde.
- Informações gerais.
Finanças Comportamentais: Vieses e Investimentos
- As finanças comportamentais estudam como as emoções e os fatores psicológicos influenciam nossas decisões financeiras, mostrando que nem sempre agimos de forma racional ao lidar com dinheiro.
- Os vieses cognitivos em finanças comportamentais são tendências que temos de tomar decisões financeiras com base em emoções ou percepções equivocadas.
- Compreender esses comportamentos pode nos ajudar a evitar erros comuns e tomar decisões financeiras mais inteligentes e eficazes. Alguns dos principais vieses são:
- Viés do Excesso de Confiança: É a tendência de superestimar as nossas próprias habilidades e conhecimentos ao tomar decisões financeiras. Isso pode levar à tomada de riscos exagerados e decisões impulsivas, resultando frequentemente em perdas financeiras.
- Viés da Confirmação: Ocorre quando buscamos apenas informações que confirmam nossas crenças pré-existentes, ignorando ou minimizando aquelas que as contradizem. Esse comportamento limita a objetividade das nossas decisões financeiras, podendo gerar erros frequentes.
- Viés da Ilusão de Controle: É a crença equivocada de que podemos influenciar resultados sobre os quais não temos controle real, como o desempenho futuro de investimentos ou mercados. Essa percepção ilusória pode levar a riscos excessivos e escolhas financeiras imprudentes.
- Viés da Aversão à Perdas: Esse viés faz com que a dor de uma perda pese mais do que o prazer de um ganho equivalente. Isso pode levar a decisões irracionais, como evitar investimentos com bom retorno esperado ou manter ativos perdedores só para não realizar prejuízos.
- Viés do Status Quo: É a preferência por manter a situação atual, evitando mudanças mesmo quando elas seriam vantajosas. Muitas vezes isso leva à inércia financeira, fazendo com que investidores permaneçam em investimentos ruins por comodidade ou medo do novo.
- Viés da Disponibilidade: Trata-se da tendência a valorizar mais informações recentes ou facilmente lembradas ao tomar decisões, ignorando dados importantes menos disponíveis ou acessíveis. Esse comportamento pode levar à supervalorização de eventos recentes e erros em análises financeiras.
- Viés da Representatividade: Ocorre quando julgamos uma situação com base em similaridades superficiais ou estereótipos, ignorando probabilidades reais. Esse comportamento pode levar a decisões equivocadas, como investir em empresas só porque parecem promissoras à primeira vista, sem uma análise detalhada.
- Viés da Ancoragem: Esse viés consiste em fixar-se em uma informação inicial (a “âncora”) ao tomar decisões, mesmo que ela seja pouco informativa ou irrelevante. Isso afeta diretamente nossas percepções de valor e pode levar a escolhas financeiras equivocadas, como pagar caro demais por um investimento.
- Viés da Falácia do Custo Afundado: Esse viés ocorre quando insistimos em uma decisão financeira ruim apenas porque já investimos tempo, dinheiro ou esforço nela anteriormente. Isso nos leva a persistir em erros e aumenta ainda mais as perdas financeiras.
- Viés do Efeito Manada: É quando decidimos com base no comportamento da maioria, seguindo tendências ou decisões coletivas sem uma análise racional. Isso pode resultar em bolhas financeiras ou em perdas significativas, especialmente em momentos de crise.
- Custo de Oportunidade: Quando você faz uma escolha financeira, abre mão das demais alternativas disponíveis. Não considerar o valor dessas alternativas pode levar você a decisões menos vantajosas.
- Cuidado para não confundir mercado em alta com inteligência financeira. Em determinadas fases, o mercado apresenta fortes movimentos ascendentes, especialmente na renda variável, onde praticamente todos os ativos sobem, gerando retornos expressivos. Nesses períodos, é comum atribuir tais resultados à habilidade pessoal, levando a pessoa ou outros a acreditarem equivocadamente que se trata de um excelente investidor.
- Conforme você aprendeu neste guia, o desempenho de uma pessoa investidora deve ser avaliado de maneira relativa e ao longo de diferentes momentos do ciclo econômico, não apenas em situações específicas de alta. Confundir um mercado favorável com competência gera excesso de confiança que, cedo ou tarde, resulta em perdas significativas, muitas vezes superiores aos ganhos obtidos anteriormente.
- A minha sugestão é que você releia este material sobre vieses a cada dois ou três meses, mantendo-os sempre claros e presentes na memória. Além de melhorar suas decisões financeiras, isso certamente ajudará você a tomar decisões mais conscientes em outras áreas da vida.
Finanças e Saúde
- Este tópico é um lembrete breve, mas muito importante.
- Cuidar das suas finanças pessoais é tão essencial quanto cuidar da sua saúde física e mental, pois o desequilíbrio em uma dessas áreas afeta inevitavelmente as outras.
- Invista também no bem-estar do seu corpo e da sua mente.
- Vivemos em uma sociedade que frequentemente nos leva ao consumo excessivo. Não estou sugerindo consumir o mínimo possível e investir o máximo, mas sim convidando você a refletir sobre possíveis exageros.
- Quantas vezes comemos muito além do necessário, a ponto de prejudicarmos nossa saúde, apenas porque a comida está disponível e saborosa ou porque estamos ansiosos?
- Quantas vezes pagamos muito caro por produtos cuja qualidade não justifica o preço, influenciados pelo marketing?
- Quantas vezes compramos coisas de que não precisamos ou que são muito melhores do que precisamos?
- Quantas vezes negligenciamos nossa saúde física e mental apenas por comodidade?
- Neste caso, ao invés de sugestões, deixo uma pergunta de reflexão: quanto sua vida poderia melhorar se você abandonasse o “piloto automático” e passasse a fazer escolhas mais conscientes, buscando um equilíbrio saudável entre suas finanças e seu bem-estar físico e mental?
Informações Gerais: Afinal, Quem É "O Mercado"?
- O termo “o mercado” se refere ao conjunto de investidores, instituições financeiras e empresas que compram e vendem ativos financeiros.
- Expressões como "o mercado se animou" ou "o mercado não gostou" são frequentemente utilizadas.
- Alguns políticos muitas vezes citam o mercado como se fosse um grupo de pessoas malvadas.
- Entretanto, o mercado não é do bem ou do mal.
- O mercado é o resultado das ações dos seus participantes em relação ao ambiente econômico, as oportunidades de investimentos e aos riscos envolvidos, enquanto buscam alocar capital da forma mais adequada possível.
Informações Gerais: O Que São Mercado Primário e Secundário?
- Os termos “mercado primário” e “mercado secundário” têm significados específicos e não devem ser confundidos com o conceito do termo “o mercado”.
- Se diz "mercado primário" quando os ativos financeiros são emitidos pela primeira vez, seja por empresas ou pelo governo. O investidor compra diretamente do emissor do título ou ação:
- O dinheiro captado vai para o governo ou a empresa, ajudando no financiamento de projetos.
- Exemplo em Renda Fixa: quando o governo emite títulos públicos (como Tesouro Selic, Tesouro Prefixado) e os disponibiliza para compra pelo programa Tesouro Direto, ou quando um banco lança um CDB novo para captação de recursos.
- Exemplo em Renda Variável: quando uma empresa faz um IPO (Oferta Pública Inicial) e vende ações ao público pela primeira vez.
- Se diz "mercado secundário" quando os ativos já emitidos no mercado primário são negociados entre investidores:
- O dinheiro da compra e venda não vai para a empresa ou emissor, mas para o investidor que vende o ativo.
- Proporciona liquidez, permitindo que os investidores entrem e saiam de posições sem esperar o vencimento.
- Exemplo em Renda Fixa: venda de um CDB antes do vencimento em uma plataforma de negociação.
- Exemplo em Renda Variável: compra e venda de ações na Bolsa de Valores, como a B3.
Informações Gerais: O Que São Corretoras de Investimentos?
- Corretoras de investimentos são instituições que atuam como intermediárias entre investidores e o mercado financeiro, permitindo acesso a diversos ativos como títulos públicos, títulos privados, ações e fundos.
- Bancos tradicionais historicamente focaram na oferta de crédito, contas correntes e poupança.
- Corretoras se especializaram em investimentos, oferecendo maior variedade de produtos financeiros e geralmente com custos mais baixos.
- Nos últimos anos, as corretoras se destacaram pela agilidade tecnológica e o uso de plataformas digitais amigáveis.
- Com a concorrência crescente, bancos tradicionais começaram a reduzir taxas e melhorar seus serviços digitais para competir diretamente com corretoras.
Sua Política de Investimentos
- A sua política de investimentos é um planejamento pessoal que orienta todas as suas decisões financeiras, com base nos seus objetivos, perfil e situação atual. Uma política de investimentos:
- Ajuda a manter o foco no longo prazo e a tomar decisões mais consistentes, mesmo em momentos de incerteza.
- Define com clareza sua tolerância ao risco, horizonte de tempo e necessidades de liquidez.
- Estabelece uma estratégia de alocação de ativos, indicando quanto investir em renda fixa, renda variável e nos demais tipos de investimentos.
- Pode incluir restrições ou preferências, como priorizar ou evitar determinados ativos, setores ou temas.
- Deve ser revisada sempre que houver mudanças nos objetivos, na situação financeira ou no perfil de risco, e idealmente também uma vez por ano.
- Ter uma política bem estruturada aumenta suas chances de alcançar as metas e reduz o risco de decisões mal planejadas.
- A sua política de investimentos é possivelmente o tema mais importante de todo este guia, pois é onde você transforma os aprendizados em ação consciente. Dedique tempo e atenção à criação da sua política de investimentos, pois ela será sua bússola em todas as decisões financeiras.
Atenção: Esse material é parte complementar ao Guia Investir e não deve ser utilizado ou interpretado isoladamente. Primeiro leia o Guia Investir e somente depois continue neste material.
Introdução
Uma Política de Investimentos Pessoal é um documento que funciona como um plano estratégico para seus investimentos. A partir do que você aprendeu no Guia Investir, você estabelece nesta política as suas metas financeiras, seu horizonte de tempo, sua tolerância ao risco e as diretrizes para a alocação dos ativos da sua carteira. Ter esse documento ajuda você a manter a disciplina, evitando decisões impulsivas motivadas por emoções momentâneas. Investir com disciplina é fundamental para alcançar o sucesso financeiro no longo prazo e para assegurar que suas decisões estejam sempre alinhadas aos seus objetivos.
Reserva de Emergência
Antes de começar a investir visando objetivos de médio e longo prazo, é fundamental constituir sua reserva de emergência. Essa reserva é um montante em dinheiro reservado exclusivamente para imprevistos, equivalente a aproximadamente 6 meses de suas despesas ou salário líquido. O objetivo é garantir segurança financeira em caso de perda de renda ou gastos inesperados, sem precisar se desfazer de investimentos de médio e longo prazo, de forma a não comprometer suas metas e objetivos.
- Valor necessário da reserva de emergência: 6x = R$ —
- A reserva já está constituída? , pretendo constituir em meses/anos.
O investimento recomendado para essa reserva é um CDB sem carência, com liquidez diária, rendendo 100% do CDI, de algum banco grande e bem reconhecido. Você também pode investir no Tesouro Selic para essa finalidade.
Somente após constituir integralmente sua reserva de emergência é recomendável partir para a diversificação da carteira de investimentos. Caso precise utilizar a reserva, mesmo que parcialmente, sua prioridade deve ser recompor esse valor antes de realizar novos aportes em outros investimentos. A Política de Investimentos orientará a alocação dos recursos excedentes à reserva, assegurando que suas decisões permaneçam alinhadas aos objetivos financeiros definidos, ao horizonte de tempo e ao seu perfil de investidor.
Momento de Vida e Objetivos Financeiros
Avalie sua fase de vida, seus objetivos financeiros e o horizonte de tempo disponível para investir. De maneira geral, quanto maior o prazo disponível até precisar do dinheiro, maior será sua capacidade de assumir riscos. Por outro lado, quando há objetivos próximos ou necessidade de resgatar recursos em prazos curtos ou médios, sua capacidade de assumir riscos diminui. Investidores jovens, com muitos anos até alcançar objetivos como a aposentadoria, costumam aceitar melhor as oscilações do mercado, já que têm mais tempo para recuperar eventuais perdas e não precisam do dinheiro imediatamente. Já investidores mais velhos ou aposentados normalmente precisam priorizar segurança e fácil acesso aos recursos, assumindo menos riscos, pois têm menos tempo disponível e podem depender mais diretamente desses investimentos.
- Sua idade atual: anos
- Em quantos anos você pretende se aposentar ou começar a utilizar substancialmente esses investimentos? anos
- Você prevê alguma necessidade importante de liquidez ou retirada significativa nos próximos anos (além da reserva de emergência)? Exemplo: Entrada em imóvel próprio, R$ 250 mil daqui a 5 anos.
- Você possui outros objetivos financeiros de longo prazo? Exemplo: Auxiliar os filhos na aquisição de imóvel próprio ou na abertura de um negócio, R$ 500 mil em 20 anos.
- Qual valor ou percentual aproximado da sua renda mensal você consegue investir regularmente? R$ ou % da renda mensal
Pense sempre em valores atuais para avaliar corretamente seu poder de compra. Considere que, aplicando os conhecimentos adquiridos no guia, você será capaz de obter retornos reais positivos (acima da inflação) ao longo do tempo. Ajuste suas respostas e objetivos à sua capacidade real de investimento hoje. Nas próximas seções, você verá que esta política será revisada periodicamente, refletindo melhor a evolução da sua situação pessoal e financeira.
Perfil de Risco
Cada pessoa investidora tem uma tolerância diferente ao risco, que é a capacidade de lidar emocionalmente com as oscilações e possíveis perdas na carteira de investimentos. Conhecer claramente o seu perfil de risco ajuda a escolher os investimentos mais adequados para você, garantindo conforto nas decisões e alinhamento com seus objetivos financeiros. As perguntas a seguir vão auxiliar você nessa identificação, permitindo uma estratégia personalizada, coerente com o seu perfil.
Pergunta: Imagine que, nos últimos 12 meses, a sua carteira total de investimentos tenha sofrido uma perda aproximada de 15%. Como você reagiria diante dessa situação?
Interpretação: A opção (a) revela baixa tolerância a perdas significativas, demonstrando perfil conservador. A opção (b) indica equilíbrio e disposição para assumir riscos moderados, característica de um perfil moderado. Já a opção (c) revela conforto em assumir riscos mais altos, desde que coerentes com objetivos de longo prazo, demonstrando perfil arrojado.
Pergunta: Na hora de investir, qual frase representa melhor a sua forma de pensar sobre risco e retorno?
Interpretação: A resposta (a) revela preferência por segurança (perfil conservador). A resposta (b) indica equilíbrio entre risco e retorno (perfil moderado). A resposta (c) indica aceitação consciente de riscos maiores em busca de maiores ganhos (perfil arrojado).
Alocação de Ativos
Com base nos objetivos e no perfil definidos nas seções anteriores, defina agora como será distribuída sua carteira entre as diferentes classes de ativos. A alocação de ativos é a decisão mais importante para equilibrar risco e retorno conforme suas necessidades pessoais.
Distribua 100% do capital disponível (excluindo a reserva de emergência) entre as categorias abaixo. Lembre-se de que maior retorno potencial normalmente está associado a maior risco. Caso prefira, você pode optar por não investir em determinada classe, atribuindo a ela uma alocação de 0%, de acordo com suas preferências e objetivos pessoais.
Antes de definir os percentuais, revise as características de cada classe de ativo:
- Renda Fixa Pós-fixada: Investimentos conservadores, com baixo risco e retorno próximo à taxa básica de juros. Exemplo: CDB de grandes bancos com liquidez diária rendendo 100% do CDI.
- Renda Fixa Inflação: Ativos que garantem um retorno acima da inflação, protegendo seu poder de compra no longo prazo, com risco moderado caso sejam resgatados antecipadamente. Exemplo: Tesouro IPCA + 5% ao ano.
- Renda Fixa Prefixada: Ativos com rentabilidade fixa e conhecida no momento da aplicação, com risco relativamente maior, pois mudanças nas taxas de juros futuras podem influenciar o valor atual do investimento. Exemplo: Tesouro Prefixado a 11% ao ano.
- Renda Variável: Investimentos com potencial mais elevado de retorno no longo prazo, porém sujeitos a fortes oscilações, especialmente em períodos curtos, exigindo maior tolerância ao risco. Exemplo: ETFs e ações negociadas na bolsa brasileira (B3).
- Fundos de Investimento: Veículos financeiros que permitem diversificar aplicações em diversos ativos simultaneamente, com risco variável dependendo da estratégia adotada. Exemplo: fundos multimercado, fundos de ações ou fundos imobiliários.
- Investimentos no Exterior / Renda Fixa: Ativos mais estáveis e seguros no mercado internacional, normalmente com retornos mais baixos, mas oferecendo possibilidade adicional de ganhos devido à variação cambial. Exemplo: títulos do Tesouro americano (Treasuries).
- Investimentos no Exterior / Renda Variável: Investimentos internacionais com maior potencial de retorno, mas sujeitos a grandes oscilações de preço e à variação cambial. Exemplo: ETFs como o IVVB11 ou BDRs de empresas americanas (Apple, Microsoft, etc).
- Criptoativos: Investimentos altamente instáveis, com possibilidade de altos ganhos, mas também elevado risco de perdas significativas em curto período. Exemplo: Bitcoin e Ethereum.
- Previdência Privada: Investimento voltado à aposentadoria e outros objetivos de longo prazo, geralmente com vantagens tributárias e estratégias ajustadas ao perfil do investidor.
| Classe | Percentual |
|---|---|
| Renda Fixa Pós-fixada (Ex: 100% do CDI) | % |
| Renda Fixa Inflação (Ex: IPCA + 5%) | % |
| Renda Fixa Prefixada (Ex: 11% ao ano) | % |
| Renda Variável | % |
| Fundos de Investimento | % |
| Investimentos no Exterior / Renda Fixa | % |
| Investimentos no Exterior / Renda Variável | % |
| Criptoativos | % |
| Previdência Privada | % |
| Total | 0% |
Rebalanceamento da Carteira
Com o tempo, sua alocação de ativos naturalmente vai se afastar do planejado, pois cada investimento terá retornos diferentes, gerando desequilíbrio na carteira. O rebalanceamento é o processo de ajustar novamente sua carteira à alocação desejada. Em geral, isso significa vender parcialmente os investimentos que tiveram ganhos acima do esperado (realizando lucros) e/ou comprar mais daqueles que tiveram desempenho abaixo do previsto, retornando às proporções iniciais. O rebalanceamento ajuda a manter o risco sob controle.
- Frequência de revisão: a cada meses. Ex: 3 meses, 4 meses, 6 meses, 12 meses. Evite revisões em períodos menores que 3 meses ou maiores que 12 meses.
- Desvio máximo permitido: %. Ex: 5% ou 10% de variação da alocação percentual de qualquer classe.
- Regra final:
Ex: Rebalancear semestralmente, em junho e dezembro, caso a participação percentual de alguma classe de ativos na carteira esteja 5% acima ou abaixo da alocação definida.
Revisão da Sua Política de Investimentos
Após definir sua política de investimentos, é essencial segui-la com disciplina. As finanças comportamentais alertam que emoções e vieses cognitivos podem levar a decisões ruins nos investimentos. Para evitar que isso aconteça, considere estas recomendações ao acompanhar sua carteira:
- Revisão Periódica da Política: Revise sua política de investimentos pelo menos uma vez ao ano ou sempre que ocorrerem mudanças importantes em sua vida pessoal ou profissional. Eventos como casamento, nascimento de filhos, aumento ou redução de renda ou proximidade da aposentadoria podem exigir ajustes no prazo, na alocação dos ativos ou na necessidade de liquidez. Evite, porém, modificar sua política com muita frequência ou por fatores passageiros que não tenham real impacto no longo prazo.
- Fidelidade à Estratégia: Respeite sempre os percentuais e as regras estabelecidas na política. Evite mudanças impulsivas na alocação motivadas por notícias passageiras ou oscilações momentâneas no mercado. Lembre-se de que sua estratégia foi definida com base em objetivos claros e prazos bem definidos -- manter-se fiel a ela é fundamental para alcançar os resultados desejados no longo prazo.
- Controle Emocional: Proteja-se contra os erros emocionais mais comuns. Por exemplo, não entre em pânico nas quedas, vendendo investimentos de forma precipitada (aversão à perda), nem seja excessivamente otimista em momentos de alta, aumentando a exposição a ativos mais arriscados além do planejado (excesso de confiança ou efeito manada). Lembre-se sempre da tolerância ao risco que você definiu.
Por fim, lembre-se de que uma política de investimentos pessoal é um documento vivo. Ela deve servir como guia para suas decisões, mas só deve ser alterada quando suas circunstâncias ou objetivos mudarem significativamente. Até lá, siga rigorosamente o plano estabelecido, mantendo o equilíbrio entre segurança, liquidez e rentabilidade definidos.
Sua Assinatura
A assinatura simboliza seu compromisso em seguir a política que você mesmo definiu. Essa é uma forma de reforçar a disciplina e lembrar que desvios injustificados do plano podem comprometer seus objetivos.
Assinatura: Data:
Parabéns
- Seu interesse em aprender com este guia demonstra que você está no caminho certo para ter um bom futuro financeiro.
- Revise os tópicos quando sentir que é necessário e lembre-se que investir não é algo momentâneo e sim uma atividade que você fará ao longo de toda sua vida, visando prosperidade. Siga sua política de investimentos.
- Não se assuste com resultados ruins no curto prazo, nem se empolgue demais com ganhos rápidos ou em momentos muito bons do mercado. Lembre-se das lições sobre finanças comportamentais.
- Sempre que precisar, busque ajuda profissional adequada.
- Cuide bem do seu dinheiro. Desejo sucesso em sua jornada!