Existem três formas principais nas quais você pode ganhar dinheiro investindo em ações: com o aumento (valorização) do preço da ação; via recebimento de dividendos; ou via recebimento de juros sobre capital próprio. As três formas são independentes.
A principal forma de você perder dinheiro com ações é com a queda (desvalorização) do preço da ação.
Como saber se uma determinada ação está "barata" ou "cara"? Como saber se o preço vai aumentar ou diminuir? Qual seria o "valor justo" (preço) de uma ação, onde ela não estaria nem "cara", nem "barata"?
A verdade é que a precificação de ações e os movimentos dos preços de ações são temas altamente complexos, que exigem estudo, dedicação e experiência. Não se engane com análises superficiais citando indicadores. Não se engane com alguns gráficos encantadores que você verá. O ato de comprar e vender ações é simples e fácil, mas definir se está na hora de comprar ou vender uma ação em específico não é nem um pouco simples ou fácil.
Ainda assim, vale mencionar dois fatores importantes relacionados à precificação de ações: as perspectivas sobre a geração de lucros das empresas e a curva de juros. Boas perspectivas de lucros e juros baixos aumentam o preço das ações. Perspectivas ruins de lucros e juros altos reduzem o preço das ações.
Pense no seguinte: fundos de investimento, bancos e casas de análises possuem equipes dedicadas, pessoas altamente qualificadas e especializadas, acesso às melhores ferramentas, acesso aos melhores conteúdos e fontes de informação, analisam continuamente o ambiente econômico e as empresas, muitas vezes com várias pessoas totalmente dedicadas a poucas empresas ou até mesmo a uma única empresa. Ainda assim, conforme estudo Scorecard SPIVA da América Latina, nos últimos 10 anos, apenas 2 em cada 10 fundos ativos de renda variável do Brasil performaram melhor do que o índice de referência utilizado. De um total de 403 fundos inicialmente analisados, somente 126 continuaram existindo após os 10 anos.
Lembre-se que uma ação é uma fração do capital social de uma empresa. Então, reflita: no geral, o Brasil é um bom país para empresas prosperarem?
Entretanto, ações são um excelente assunto para geração de conteúdos e engajamento pois são tantas as possibilidades e novidades a cada instante que parece que você sempre está ficando por fora de alguma bola da vez. Tenha calma.
A intenção aqui não é desestimular você a investir em ações, mas sim evidenciar que o Brasil, no geral, tem um ambiente econômico desafiador para o investimento em ações, que selecionar ações para investir não é tarefa simples e que mudar frequentemente suas ações geralmente acaba sendo prejudicial.
Lembre-se que o desempenho de investimentos sempre deve ser avaliado de forma relativa. A tabela a seguir mostra o desempenho relativo entre o Ibovespa (principal índice de ações do Brasil) vs. a Taxa Selic (taxa de juros do Brasil) e também do S&P 500 (principal índice de ações dos EUA) vs. a Fed Funds Effective Rate (taxa de juros dos EUA). Os dados utilizados são do ano 2000 até o ano de 2024.
A técnica de janelas móveis permite analisar como os retornos variam ao longo do tempo. Exemplo: o desempenho de hoje comparado ao de um ano atrás, o desempenho de ontem comparado a um ano e um dia atrás, o desempenho de anteontem comparado a um ano e dois dias atrás. Cada desempenho desses é uma amostra e, neste exemplo, o período é de um ano.
Note que o retorno médio do investimento em ações no Brasil (A) geralmente não foi superior ao retorno médio oferecido pela Taxa Selic (B). Além disso, considere que investir em ações costuma ser mais arriscado do que investir no Tesouro Selic ou em algum CDB que remunere 100% do CDI.
Já para uma pessoa americana, o retorno médio de investir em ações americanas (C) neste mesmo período foi significativamente mais vantajoso do que o retorno médio de investir na taxa de juros americana (D).
Retornos do Ano 2000 ao Ano 2024 — Janelas MóveisAnálise de janelas móveis do IBOV vs. Taxa SelicAnálise de janelas móveis do SPX vs. EFFR
Ainda assim, ações podem representar excelentes oportunidades de investimento, especialmente em períodos nos quais a economia cria um ambiente próspero aos negócios – com taxas de juros relativamente baixas, inflação controlada e uma política fiscal responsável. Nessas condições, não é incomum observar valorizações superiores a 100% nos preços de ações em horizontes de um a dois anos.
Em teoria, a longo prazo (anos), os preços das ações acompanham a evolução dos lucros das empresas, pois esses lucros são a base para a criação de valor aos acionistas. No curto prazo (dias, semanas, meses), entretanto, os mais diversos fatores podem influenciar as cotações (preços).
Você se lembra da curva de juros e dos conceitos de valor presente e valor futuro? A precificação de uma ação reflete os resultados futuros da empresa, convertidos para o valor de hoje. Assim, quando as expectativas de juros aumentam, o valor presente desses resultados diminui, afetando negativamente os preços das ações. Além disso, juros mais altos desestimulam o ambiente de negócios, reduzindo os resultados.
As empresas listadas em bolsa tem a obrigação de divulgar publicamente seus resultados a cada trimestre. Desta forma, é possível acompanhar o desempenho da empresa. Também é possível entrar em contato com a área de Relações com Investidores (RI) das empresas para esclarecer dúvidas.