Assim como no Brasil, investimentos no exterior também são categorizados entre Renda Fixa, Renda Variável e demais classes de ativos. O conteúdo deste módulo será focado em investimentos nos Estados Unidos, o maior mercado financeiro do mundo.
Uma questão importante a ser compreendida é que ter exposição a performance de ativos no exterior não necessariamente significa enviar dinheiro para o exterior.
Você pode investir em ativos do exterior via:
corretoras no Brasil (por meio de BDRs e ETFs);
contas internacionais de corretoras no Brasil;
ou você pode efetivamente enviar seu dinheiro para fora do Brasil.
Investindo via ETFs e BDRs na B3, com o preço dos ativos em reais:
Você investe direto com o preço em reais, onde a variação do dólar já está contemplada. Exemplo: na Nasdaq, onde a Apple está listada, o código é AAPL e o preço é em dólares. Você investe via BDR na B3, código AAPL34, com preço em reais. Isso significa que se a AAPL variar 10% na Nasdaq e o dólar se apreciar 5% no mesmo período, o preço da BDR em reais já irá representar diretamente uma variação de 15,5% ((1 + 10%) * (1 + 5%) - 1).
A principal vantagem de investir via B3 é a simplicidade. Entretanto, você tem acesso limitado a apenas alguns ativos de renda variável.
Exemplo de ETF na B3: IVVB11 para investir no S&P 500.
Exemplos de BDRs na B3: MSFT34 (Microsoft), AAPL34 (Apple), NVDC34 (Nvidia), GOGL34 (Alphabet), AMZO34 (Amazon), M1TA34 (Meta) e TSLA34 (Tesla).
Investindo via conta internacional, com o preço dos ativos em dólares:
Você primeiro converte reais para dólares, depois investe em dólares.
Entretanto, seu dinheiro continua sendo custodiado por uma instituição do Brasil.
Você também conta com uma boa variedade de ativos disponíveis para investimento, mas nem sempre tanto quanto uma conta no exterior.
Exemplo de ETF na New York Stock Exchange: VOO para investir no S&P 500.
Exemplos de ações na Nasdaq: MSFT (Microsoft), AAPL (Apple), NVDA (Nvidia), GOOG (Alphabet), AMZN (Amazon), META (Meta) e TSLA (Tesla).
Investindo via conta no exterior (enviando dinheiro para fora do Brasil), com o preço dos ativos em dólares:
Você abre uma conta em uma instituição com sede em outro país (Estados Unidos).
Você faz uma transação convertendo reais para dólares e envia o dinheiro para essa conta.
Então, você realiza seus investimentos diretamente em dólares.
Desta forma, seu dinheiro estará custodiado em outro país, o que pode significar mais segurança jurídica.
Além disso, você conta com uma ampla variedade de ativos disponíveis para investimento.
De forma geral, os mesmos ensinamentos e dinâmicas sobre Ambiente Econômico, Renda Fixa e Renda Variável se aplicam a investimentos no mercado americano.
Ambiente Econômico: a taxa básica de juros americana é a Fed Funds Rate e a principal medida de inflação é o Consumer Price Index.
Renda Fixa: títulos públicos são denominados Treasuries enquanto títulos de empresas são denominados Bonds. Assim como no Brasil, títulos de empresas são mais arriscados que títulos públicos.
Algumas empresas brasileiras emitem títulos de dívida no exterior, em dólares. Ao investir no exterior, você geralmente está buscando diversificação. Neste caso, sugiro evitar títulos em dólares de empresas brasileiras pois, na verdade, você segue exposto ao risco de uma empresa brasileira, reduzindo o efeito de diversificação dos seus investimentos.
Renda Variável: ETFs são denominados ETFs pois este já é um nome em inglês (Exchange Traded Funds) e ações são stocks ou equities. Os mesmos conceitos de large, mid e small caps se aplicam, assim como os perigos relacionados, por exemplo, a ações com pouca liquidez. Derivativos são denominados derivatives e você também deve evitá-los pelos mesmos motivos apresentados para o Brasil.
Fundos de Investimento: são denominados funds, entretanto as classes de fundos são significativamente diferentes das classes usadas no Brasil.
Agora, vamos ver como foi o desempenho relativo entre a cotação do real brasileiro em relação ao dólar americano vs. a Taxa Selic. Os dados utilizados são do ano 2005 até o ano de 2024.
A técnica de janelas móveis permite analisar como os retornos variam ao longo do tempo. Exemplo: o desempenho de hoje comparado ao de um ano atrás, o desempenho de ontem comparado a um ano e um dia atrás, o desempenho de anteontem comparado a um ano e dois dias atrás. Cada desempenho desses é uma amostra e, neste exemplo, o período é de um ano.
Note que o retorno médio de possuir apenas dólares (e não ativos em dólares) como investimento (A) não foi superior ao retorno médio oferecido pela Taxa Selic (B). Entretanto, em períodos em que o ambiente econômico brasileiro é mais desafiador e a situação econômica do país se fragiliza, o dólar americano tende a se valorizar frente ao real brasileiro, fornecendo bons retornos e segurança.
Retornos do Ano 2005 ao Ano 2024 — USDBRL vs. Taxa SelicAnálise de janelas móveis do USDBRL vs. Taxa Selic
As minhas sugestões, de forma geral, sobre investimentos no exterior são as seguintes:
Evite possuir apenas dólares ou fundos cambiais como investimento, prefira ativos em dólar, como títulos de renda fixa, ETFs e ações.
As mesmas questões que você aprendeu a cuidar em renda fixa e renda variável no Brasil, você também deve cuidar em renda fixa e renda variável no mercado americano.
Priorize renda fixa no Brasil e renda variável nos Estados Unidos. Devido às diferenças econômicas entre os dois países, a renda fixa no Brasil historicamente oferece retornos mais atrativos em comparação à dos Estados Unidos, enquanto a renda variável nos Estados Unidos tende a superar a do Brasil em desempenho. Isso não significa que você deva excluir totalmente a renda fixa nos Estados Unidos ou a renda variável no Brasil, mas sim alocá-las em menor proporção na sua carteira.
Sugiro evitar que mais de um terço (33%) dos seus investimentos esteja dolarizado. Se você vive no Brasil e sua rotina está principalmente atrelada à dinâmica da inflação local, há excelentes opções, especialmente em renda fixa, para preservar seu poder de compra e obter bons retornos reais. Enquanto isso, a parcela dolarizada da sua carteira pode atuar como uma proteção em momentos de grandes desafios na economia brasileira.