O resultado primário afeta o estoque da dívida pública. Déficits geralmente fazem o governo emitir mais dívida e aumentam o total da dívida, enquanto superávits tendem a reduzir o total da dívida.
Entretanto, como já vimos, devemos evitar análises isoladas ou absolutas. Sendo assim, a dívida pública geralmente é avaliada de três formas: sua relação com o Produto Interno Bruto (PIB), sua trajetória, e a comparação com a de outros países economicamente semelhantes.
O PIB é a medida do valor de bens e serviços finais produzidos dentro das fronteiras de um país em um determinado período.
A relação entre dívida e PIB é uma porcentagem calculada como Dívida Total / PIB Anual. Assim, a dívida/PIB fornece uma visão relativa entre o endividamento e a produção do país. Essa relação dívida/PIB é então comparada a de outras economias semelhantes. Por exemplo, no caso do Brasil, a comparação geralmente é com outros países emergentes como o México e a Argentina. Desta forma, os países com menor dívida/PIB representam menor risco aos investidores, que aceitam taxas de juros relativamente menores para investir em títulos destes países, resultando em financiamento mais barato para estes governos e possibilitando uma taxa básica de juros relativamente menor.
Você se lembra do risco vs. retorno e que a taxa livre de risco não é livre de risco?
Quando a trajetória desta relação é crescente, maior é o risco percebido e maior é o retorno requerido por investidores para emprestarem dinheiro ao governo, gerando um aumento nas expectativas sobre os juros (curva de juros).
Quando a trajetória desta relação se estabiliza ou cai, há uma redução no risco percebido e menor é o retorno requerido por investidores para emprestarem dinheiro ao governo, gerando uma redução nas expectativas sobre os juros (curva de juros).
A questão é que não existe dinheiro mágico disponível para um governo. Se um governo constantemente gasta mais do que arrecada, ele precisará buscar fontes de financiamento, geralmente por meio da emissão de dívida pública. Quanto mais endividado um governo está em relação a capacidade produtiva do seu país, maior será o risco soberano percebido por investidores para emprestar dinheiro para este governo (comprar dívida pública), menor será a disposição para investir, maiores serão os juros exigidos e mais difícil fica a situação econômica do país.
A prosperidade econômica depende de um ambiente econômico produtivo, inovador e competitivo.
A existência deste ambiente depende de um governo fiscalmente responsável, de segurança jurídica, de simplicidade tributária e de facilidade para fazer negócios.
Sem um ambiente econômico próspero, não haverá dinheiro para educação, saúde e segurança.
Dívida Bruta do Governo Geral em % do PIB — Fonte: Banco Central do Brasil